Body Meat - Starchris



7.9

Pop agonizante, Starchris é um apelo ao caos. A estreia de Body Meat (Chris Taylor) incorpora uma variedade quase inexistente de elementos em completa deformação para criar, na premissa mais básica, música pop. O álbum é cheio de glitches longuíssimos, uma mistura de instrumentação cacofônica e prensagem cinética de software que não dá pausa para digerir.

Aqui, tudo acontece em uma velocidade intransigente, com batidas avant-club que não apenas acenam para SOPHIE, mas fazem de sua onipresença um destaque na própria constelação de dimensões criadas pela noção de volatilidade na música pop. É o que muitos podem chamar de estágio avançado, posterior, do hyperpop, ou uma exploração que fica aquém de tudo que já vimos dele antes.

Na melhor demonstração de tudo isso, a faixa “Ōbu No Seirei (Spirit of an Orb)”, a distorção de violoncelos e flautas escorregadias se fundem com a intensa, mas pontual, carga vocal de Taylor que joga contra os caminhos que ele mesmo busca expor por meio de pausas, assobios industriais e uma explosão sonora sem fim que se intensifica a cada segundo... É o resumo perfeito de quão agonizantes são os apelos pop do artista para essa sua chegada avassaladora.

Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

Postagem Anterior Próxima Postagem