
7.3
Desde o ano passado, tem se tornado cada vez mais comum ver DJs de fora da cena do bruxaria dizendo que “funk não é só barulho”. Isso ocorre em contraposição aos avanços de algumas vertentes do mandelão, que tem se direcionado para estéticas musicais experimentais, como o noise e o industrial hardocore – eixos bem definidos por trabalhos como ESPANTA GRINGO, de d.silvestre.Nois Gosta do Barulho, do DJ Talala, é um dos álbuns que cai como uma luva em tudo o que esses DJs contrários “ao barulho” do funk mais odeiam. Aliás, não há intenção de ser um dedo na ferida – DJ Talala não tem objeções além de fazer o que ele faz de melhor: barulho. E seu exercício criativo para atingir essa máxima, expressa no título da obra, é simplesmente brilhante.
Mesmo nos momentos menos agressivos em termos sonoros, como em “Automotivo do Rock”, que aposta no automotivo para dar ênfase aos versos do Mc Santt, e em “Magia Maligna”, que traz um beat bolha desfigurado e mais seco do que nunca, DJ Talala deixa claro que o barulho – algo que muitos acreditam “estragar o funk”, mas que nada mais é do que uma característica dessa cena cheia de variedades – pode ser ajustado do seu jeito.
Mesmo nos momentos menos agressivos em termos sonoros, como em “Automotivo do Rock”, que aposta no automotivo para dar ênfase aos versos do Mc Santt, e em “Magia Maligna”, que traz um beat bolha desfigurado e mais seco do que nunca, DJ Talala deixa claro que o barulho – algo que muitos acreditam “estragar o funk”, mas que nada mais é do que uma característica dessa cena cheia de variedades – pode ser ajustado do seu jeito.
E não há melhor forma de dizer isso do que com humor, elemento-chave do álbum. Em “Bruxaria Chora Ex”, por exemplo, a letra satírica representa um estado superior do que o DJ quer transmitir: a ideia de que o ruído é, acima de tudo, acessível e adequado às melhores protuberâncias líricas (e ousadas) do funk:
Embora não haja uma única faixa aqui que escape dos reco-recos eletrônicos, assobios ou mesmo do tuim – que atinge seu ápice nervoso em “Tuim Maldito” e “Pertubando a Vizinhança”, parceria com DJ Blakes – DJ Talala equilibra uma infinidade de beats, incluindo o bolha, sem deixar nenhum se destaque ou arruine o outro. É inacreditável.
Além do som em seu estado mais absurdo possível, o que já foi dito sobre questões externas à obra também foi destacado em álbuns recentes, como Bruxaria Não É Phonk, de HALC DJ, que se posiciona frontalmente contra as declarações, um tanto quanto reacionárias, de DJs que acabam sendo, infelizmente, tão anti-funk quanto um velho de direita que sonha portar uma arma para compensar sua invalidez genital. DJ Talala acerta o ponto ao honrar o barulho, fazer dele sua principal veia temática e seguir com o melhor que mandelão e suas vertentes podem oferecer: música experimental de verdade.
“Mano esse moleque, tá se pagando muito / Só porque pegou a mina que eu ja fiz um absurdo / Pode assumir ela, fica à vontade / Essa boca que ce beija já fez várias sacanagem”
Embora não haja uma única faixa aqui que escape dos reco-recos eletrônicos, assobios ou mesmo do tuim – que atinge seu ápice nervoso em “Tuim Maldito” e “Pertubando a Vizinhança”, parceria com DJ Blakes – DJ Talala equilibra uma infinidade de beats, incluindo o bolha, sem deixar nenhum se destaque ou arruine o outro. É inacreditável.
Além do som em seu estado mais absurdo possível, o que já foi dito sobre questões externas à obra também foi destacado em álbuns recentes, como Bruxaria Não É Phonk, de HALC DJ, que se posiciona frontalmente contra as declarações, um tanto quanto reacionárias, de DJs que acabam sendo, infelizmente, tão anti-funk quanto um velho de direita que sonha portar uma arma para compensar sua invalidez genital. DJ Talala acerta o ponto ao honrar o barulho, fazer dele sua principal veia temática e seguir com o melhor que mandelão e suas vertentes podem oferecer: música experimental de verdade.