
7.5
Não é nenhum pouco estranho a forma como Opening começa: um borrão instrumental, uma confusão musical que parece não ter nenhuma partida que não o puro choque, a pura intenção de nos fazer questionar o que estamos ouvindo – ou quando aquilo irá parar.Klara Lewis entende que o processo de chocar parte da própria forma como ela constrói e depois desconstrói determinado som, como faz partindo do uso de formalidades prescritas de instrumentais comuns, como o piano de “Hardcore”, um dos momentos de calmaria que melhor transcreve a inquietude de Lewis, pois mesmo calma, ainda é uma melodia que nos incomoda, de uma forma ou de outra.
Nos quase doze minutos de “Tide”, essa quietude também é atravessada por sua própria existência épica. A faixa parece ajustar um drone conforme vai avançando por sua gravação nebulosa e com variações mínimas de ritmo, postada na repetição como meio direto de simbolizar a suavização como um antecedente dos avanços mais volumosos de faixas como “How Far?”.
Em todo instante, reina a quantidade de coisas que Lewis usa para criar seu som. Existe uma ideia de minimalismo que não se aplica a lançamentos como este, vez que seus instrumentais e amostras forçam uma desintegração quase total dos pressupostos de modéstia. O ukulele de “Drip” é uma prova explícita disso, vez que se assume através dele um meio pensado e executado pela artista para expor sua criação multidisciplinar.