Seleem - Taboot



7.6

É quase impossível não sentir a força do bumbo de Seleem puxando o ritmo para baixo quando os minutos iniciais de Taboot entregam uma natureza rústica e tecnológica ao mesmo tempo. O disco parece não chegar a lugar algum nos seus seis minutos de abertura: um vai e vem de batidas que são sombrias o suficiente para preencher a pista de dança e parecer um esforço genuíno de experimentação eletrônica. Aqui, o dark techno é acentuado por essa constante percussão, que parece se intensificar a cada minuto que passa.

Em primeiro lugar, porque está longe de inventar a roda no gênero – frequentemente cooptado por um pseudo mainstream que parece explorar seus estilos e técnicas em espaços onde a música eletrônica está longe de ser o terreno mais fértil para colagens e para composições com certo valor artístico agregado. Taboot vai muito além dessa máxima de reprodução rave, atuando diretamente na criação de alguns elementos que o tornam mais profundo, mais palatável à proposta de reinvenção de Seleem.

Em “Anvils & Botox”, a obra ganha contornos plastificados e certeiros ao mirar em tons sintéticos, mas também muito atmosféricos. É como se, conforme fica mais intenso, ficasse também mais direto e retilíneo, seguindo um mesmo caminho de estruturas e volume. O mais interessante é que, mesmo assim, sequer soa repetitivo ou parece se importar com os limites estilísticos do techno em planificar, achatar o som. A faixa-título, “Taboot”, uma trilha quase cyberpunk, evidencia o caráter narrativo que o projeto carrega, mesmo sem expor explicitamente do que se trata, sustentando uma tensão que instiga do início ao fim.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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