Actress - Radical Frame



7.4

O novo disco de Actress, nome artístico de Darren Cunningham, deixa claro sua temática centrada em sua perspectiva acerca das raízes negras da música eletrônica, atuando como um mensageiro da vanguarda de estilos apontados aqui de forma enxuta – uma marca dos últimos trabalhos dele.

Ele declaradamente assume a dianteira de todo movimento que culmina em suas peças tocadas por introspecção e de linguagem a qual vem organizando nos últimos 18 anos. É o trabalho de uma vida, e os dezesseis minutos de “Sheets” explica o porquê. O fielding recordings das ondas do mar encontra os vocais de Rainy Miller e pequenos aquecimentos de ambient com caixas rápidas.

A peça em questão encerra o disco com a certeza que o acompanha desde o início. O som de Actress é distinto, e fortificado por essa compreensão em que ele assume a própria vanguarda. Ele não está se colocando como o salvador negro da música eletronica e sua atual profussão imersa no ocidente. Ele está firmando sua existência através do reconhecimento de sua trajetória. E isso é inevitável.

Em “Cosmo”, permeia uma superficialidade, um arranjo direto, que se aproxima de uma facilidade estética que também é marca dos projetos de Actress. “Withending”, por sua vez, mais acessível, convida a instantes mais celebrativos, é dançante e ao mesmo tempo carregado justamente da facilidade encontrada nas criações – e na linguagem – do produtor.

E isso tudo traduz o que Radical Frame significa hoje, ou no futuro, concedido pelo autocentrado poder de Actress em referenciar a sua música, que no fim das contas acaba dizendo mais sobre a eletrônica de todos, e não só a dele.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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