K-Lone - Have a few days off



7.9

O que K-Lone alcançou em sorry i thought you were someone else (2025) – que ocupa a 24ª posição na lista dos melhores álbuns de música eletrônica da década de 2020 até o momento – vai além de meras descrições, observações técnicas ou das marcas estilísticas que definem seu trabalho (e que qualquer pessoa familiarizada com ele já conhece).

Aquele era um disco em que ele jogou com alguns signos, de forma consistente, da desaceleração da música eletrônica, com suas formas etéreas e atmosféricas, que o aproximou de diferentes espaços de eletrônica contida – não necessariamente correspondente a morfologia exata do termo – como o microhouse e o ambient techno.

É em grande parte por isso que seu novo EP, Have a few days off, soa tão oportuno. Ele caminha na direção de estruturas de música para pista mais amplas, ao mesmo tempo em que dialoga com uma dezena de estilos diferentes. Ainda assim, não se contém, como se K-Lone estivesse tirando férias de sua persona recente, de caráter mais introspectivo. Ele mergulha em batidas com um apelo club inconfundível – mais voltadas para a dance do que o habitual – e o faz com maestria.

No centro dessa escolha está “Self care - live mix”, uma peça de techno com intervenções melódicas ditadas por teclas espaçosas de synths, coloridos num nível em que os seus melhores momentos borbulham com uma atmosfera aerada. Já na faixa que dá nome ao EP, “Have a few days off”, a estrutura se converge ao microhouse de sorry i thought you were someone else, com vocais ASMR ditando o ritmo inicial que perdura durante os quase oito minutos de música. No meio da faixa, o ritmo diminui e sobram apenas as batidas house, que crescem em seguida como se poupasse uma virada clichê; pelo contrário, cria uma virada silenciosa.

Tal entendimento de ritmo, sem pressa e sem agouro por drops, é o que torna o som de K-Lone cada vez mais vivo. Não porque ele ignore esses maneirismos, mas porque ele sempre arruma uma forma de permeá-los sem necessariamente corresponder duramente ou depender de cada um deles para firmar suas ideias, no contexto desse EP, mais próximas das pistas de dança do que nunca.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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