As melhores músicas de Tinashe



Como preparação para Popstar, próximo álbum de Tinashe que chega no dia 25 de setembro, reuni as dez melhores músicas da artista. A seleção conta com faixas que ajudaram a definir a identidade artística de Tinashe, passando de seus sucessos radiofônicos a lançamentos menos óbvios, como os de sua fase recente, marcada pela independência e pela liberdade, que lhe permitiram explorar novas possibilidades e experimentar um território musical inédito.

10. “Talk to Me Nice”

O single principal do EP BB/ANG3L marca uma mudança decisiva na carreira de Tinashe, não apenas em relação à sonoridade que ela adotaria dali em diante, mas também na forma como se conectava com seu público e alterava seu perfil demográfico, já que foi nesse momento que ela se tornou uma artista independente em todos os sentidos do termo. Embora tivesse rompido com a RCA em 2019 e lançado 333 (2021) de forma independente, sua obra ainda permanecia presa ao seu catálogo moldado pela gravadora. Por isso, para além das implicações comerciais, “Talk to Me Nice” também alcançou um resultado de aperfeiçoamento ao pegar a dualidade estrutural de “Know Better” e transformá-la em uma faixa de R&B minimalista, permeada por influências de dubstep e footwork. Desde então, as coisas não foram mais as mesmas.

9. “Superlove”

Pop perfeito, “Superlove” antecipou uma das maiores qualidades de Tinashe: a habilidade de criar ritmos e ganchos musicais tão viciantes quanto divertidos. O videoclipe destacou outra qualidade que elevou seu status: a dança. Tudo estava lá, ao som de uma das batidas de atlanta bass mais marcantes da música pop, capturando uma atmosfera de verão, a sensualidade visual e o calor de uma paixão avassaladora. É uma abordagem um tanto literal, é verdade. Mas é exatamente isso que precisa ser. Anos mais tarde, Tinashe retomaria esse estilo de pop eufórico, vibrante e repleto de amor – é a fase que a define em 2026, mas que, na verdade, teve início lá em 2016.

8. “Perfect Crime”

Tinashe sempre flertou com as pistas de dança, mas o sinal mais direto dessa relação está em “Perfect Crime” do álbum Songs For You (2019). A faixa é uma deliciosa exibição de dance-pop com ritmo nostálgico, sintetizadores opulentos e uma atmosfera noturna puramente sensual. Ao longo da música, fica claro que a estética de pista de dança que Tinashe finalmente abraçou está muito distante dos clichês habituais do resgate dos anos 80. Ela na verdade cria algo seu. Dançante, harmonioso e perfeitamente adequado ao seu estilo.

7. “Nasty”

Há quem descarte “Nasty” por conter algumas das características mais comuns para conquistar um apelo radiofônico na era dos algoritmos, como a repetição e uma estrutura que sempre retorna a um refrão pegajoso. Mas essa é a graça. Tinashe conseguiu viralizar com a música e, mais importante ainda, consolidar sua capacidade de cativar ouvintes, independentemente do método utilizado. A faixa, para além de um acerto de marketing, é genuinamente interessante, graças sobretudo ao seu groove minimalista e a alguns dos versos em rap-singing mais divertidos dos últimos anos. “Is somebody gonna match my freak?”

6. “Gravity”

Seria surpreendente ver Burial em “Gravity” se ele não estivesse realmente lá. Mas ele está – de alguma forma. A faixa abraça uma atmosfera empoeirada e nebulosa, com breaks instrumentais que bebem das fontes do future garage e do 2-step. Tinashe desempenha seu papel com vocais que complementam o eco criado por essa fusão de estilos. Por um momento, a música remete a Kelela, especialmente pelo uso de metáforas para ancorar o tom narrativo e as batidas cruas. É uma das coisas mais interessantes que ela já fez, vez que sua referência se confirma pela própria estrutura, quando se dissipa aos poucos, tal como Burial costumava fazer.

5. “Bet” (feat. Devonté Hynes)

A complexidade de “Bet” vem de diferentes direções. A primeira, são os vocais de Tinashe, variando de tom e de forma. Acaba, no geral, correspondendo a muitas das produções de R&B alternativo da época. No seu ápice, remete a Beyoncé ao atingir notas altas e pintar uma vestimenta acrobata cheia de riffs vocais. Na esteira de complexidade se encontra também a produção de Devonté Hynes (Blood Orange), que funde o R&B dos anos 90 com acordes de guitarra próximos do lo-fi, desenhando uma atmosfera sombria. “Bet on it / Pay no mind to what the doubters all say / I'mma be around for ever, always, you can bet on it”, canta ela no refrão, atingindo por fim a complexidade lírica.

4. “Save Room For Us” (feat. MAKJ)

A música começa em um registro agudo, com Tinashe alcançando notas que ficam suspensas na ausência de instrumentação. Leva alguns segundos para que os sintetizadores surjam e preencham os espaços vazios da faixa com mais um exemplo de pop eletrônico perfeito. A linha de baixo que conduz o ritmo é ampla, e seus acordes acompanham a intensidade dos vocais. A produção de MARK J brilha justamente nesse encontro entre voz e som, guiando Tinashe por uma jornada breve, porém vibrante, que traz alguns dos ganchos musicais mais bem elaborados de sua carreira. É impossível não se repetir ao falar de seus vocais impecáveis.

3. “2 On” (feat. ScHoolboy Q)

O single principal do álbum de estreia de Tinashe, Aquarius (2014), é um hit por definição. A faixa colocou a artista no mapa das estrelas pop globais, impulsionada pelas batidas características da Costa Oeste – enraizadas em uma mistura de pop e hip-hop – graças à produção de DJ Mustard e ao sample de "We Be Burnin'", de Sean Paul. O maior trunfo da música, no entanto, reside na combinação dos versos de Tinashe com os de ScHoolboy Q, uma colaboração que, na época, representava um marco importante para uma artista pop trabalhando diretamente com um rapper. É um dueto clássico que moveu estruturas e que seria um sucesso ainda maior se fosse lançado hoje.

2. “Know Better”

A duração de quase sete minutos de “Know Better” é essencial para conectar o ouvinte à sua estrutura dupla, que dá a sensação de duas faixas fundidas em uma só. O que une essas duas seções é justamente o contraste entre as atmosferas de cada uma. A primeira surge no estilo clássico de Tinashe, com vocais potentes e batidas de R&B alternativo que parecem típicos dela. A segunda seção é mais atmosférica, mais calma e contida. O volume reforça um clima intimista, mas os elementos permanecem inalterados: vocais doces e que causam arrepios. É uma das composições mais sensíveis que Tinashe já lançou, e funciona como uma faixa coesa justamente porque ela sabe como conectar, mesmo por meio do contraste, esses dois lados. “Did you notice me?”, ela suplica no final entre acordes de concerto.

1. “Melatonin”

Pode parecer exagero dizer que esta é a melhor música de Tinashe, sobretudo por ter sido lançada recentemente. Mas é impossível não se impressionar com “Melatonin”, essencialmente por não se parecer com absolutamente nada feito pela artista até então e por caminhar por uma dezena de estéticas da música eletrônica, como o detroit techno. Sua base está fincada numa percussão frenética, com hi-hats precisos e um trabalho intenso de bateria eletrônica, que puxa versos disparados em ritmo acelerado. A textura resultante apresenta linhas de baixo ásperas e uma sonoridade acid que, assim como todo o restante, se transforma num piscar de olhos. É, de longe, a coisa mais ousada na música pop que você irá ouvir em muito tempo, e isso ainda é pouco para descrevê-la.

Ouça a Playlist:

Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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