
6.6
Há muita coisa interessante em Dream House, a começar pela característica central de Empress Of em criar ganchos tão interessantes quantos efetivos em sua missão de ser pegajosos num nível excelente para ela e sua posição criativa. Mas isso, obviamente, não basta.Por este motivo sua parceria em “Blue Light” com Blood Orange retorna com um triunfo que remete muito ao clássico compartilhado deles de 2016, “Best To You”. Dez anos depois, a voz de Lorely Rodriguez continua a permear um sentimentalismo muito puro, um misto de nostalgia daquilo que ainda não vivemos com a crueza de seus elementos centrais: voz, som e ritmo.
There's always something in my eyes
I want to feel it, not just see it
Be ephemeral, through it all
Feel it all
Canta ela num dos melhores pós-refrão do ano. A bateria oitentista e acordes de violão fazem com que a faixa atinja um tom etéreo que nenhum outro momento de Dream House consegue chegar perto de fazer. E é incrível que ainda haja fôlego para existir canções pop tão prazerosas de ouvir assim, essencialmente quando os vocais de Devonté Hynes surgem.
Nota-se que Dream House busca ser exatamente o que essa música colocou. Tanto que seus interlúdios, como “We Have Walls”, curtos e com instrumentais calmos e gravações vocais caseiras, parecem querer preparar o ouvinte postos e até rupturas de ordem dentro do disco.
A sequência “SYW”, com Cecile Believe, testa os limites club de Empress Of. É uma peça que funciona por apostar na repetição como sendo uma canalização emocional e estrutural a qual as batidas despontam como parte da narrativa. O conjunto vocal é um deleite à parte, mesmo que este simbolize mais um grande pico dentro do álbum e que a artista não consegue atingir posteriormente.