Beatrice M. - Sinking



7.9

Sinking é um álbum essencialmente de dubstep. Claro que compreender isso, ao ouvi-lo, instiga pensar o que é o dubstep hoje. Beatrice M. é uma das pioneiras do dubstep contemporâneo e de sua relação com a eletrônica de vanguarda, convergindo para a linha abaixo do midstream.

Veja, em primeiro plano, como os vários momentos do álbum tomados pelo techno, como “Disco Corner”, apontam para a forma multimodal em que o estilo base de Beatrice é usado como fomento para outras novas formas. Para tanto, ela percorre a densidade e a natureza fusional do dubstep que era popular há cerca de uma década e meia.

Mas é na composição plana de suas viradas mecânicas que ela alcança a tonalidade minimal, como um estado de profundidade, para criar ecos e momentos mais robustos que exigem atenção. Em “Dear Dubstep”, os elementos são friamente colocados em sequência: um sintetizador sonolento, a criação de ecos que parecem fazer um raio X do em torno de onde se é criado e uma atmosfera tão aerada quanto as peças do Basic Channel.

Numa medida menos intransigente, Sinking perfura o dubstep como se separasse sua cronologia. Os momentos mais dub são aqueles que caminham em direção ao techno, sendo o dub techno sua segunda maior direção. Mas o álbum não deixa de registrar suas origens mais modernas, por isso “Motion”, uma das faixas centrais do álbum, parece ser “pura” ao tratar dos signos mais marcantes do estilo de dubstep que Beatrice M trabalha.

A faixa torna-se, diante das outras, um lembrete, bastante literal, daquilo que compreende o âmago de Sinking, mesmo que a música acabe, no fim das contas, tratando mais sobre as investidas de Beatrice no techno do que qualquer outra.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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