
7.8
Este achado do selo londrino Cold Blow permeia o início da difusão e da propulsão do techno em oito peças que viajam por diferentes incrementos estéticos a matriz do gênero, percorrendo uma linha temporal que vai de 1992 a 1999. A compilação traz algumas das peças mais diferentes e naturais do período, marcado por explorações livres ante a falta de necessidade de classificação na época.Esse fato, por si só, pode ser compreendido logo na abertura, “Eternal Life”, de 2000 And One & Sandy Huner, com uma ambiência natural e pequenos ecos sobrepostos ao ritmo mecânico e insistentemente barulhento, que dura quase oito minutos em meio a batidas já padrões na segunda metade da música.
Em outra peça de longa duração, “Break It”, de Thor, a fusão do techno se dá pelo aparato sintético já ligado ao IDM, aquele que Aphex Twin moldou em Selected Ambient Works 85–92 (1992), e que por isso soa mais reconhecível. Quando as amostras vocais surgem, ao lado dos lasers disparados enquanto marcam o tempo – e o intervalo – das batidas, a faixa compreende o espaço de novidade e ao mesmo tempo de incompreensão de quando surgiu.
O mesmo efeito se dá em “Atlas”, que apela para vertentes mais próximas do minimal, mas ainda muito disperso em termos de onde esse tipo de som pode ser encontrado. Naquela época, embora os pioneiros de Detroit já demonstravam certo carinho por novas formas de techno, foi só a expansão do gênero para além daquele polo de fabricação, inclusive dos vinis, que foi possível encontrar experimentações mais vibrantes. É o caso do próprio trabalho do Basic Channel e de Richard D. James na vanguarda europeia.