Kiko Dinucci - Medusa



7.4

A união de forças em Medusa, novo disco de Kiko Dinucci, reacende mais do que uma das maiores qualidades do artista, que é a sua capacidade de criar micromovimentos coletivos ao mesclar sua forma de criar com a de outros nomes igualmente incríveis.

Aqui, ele se junta a nomes como Poderdesligado, Cadu Tenório, Juçara Marçal, Maria Beraldo e Lello Bezerra, entre outros, com a única e exclusiva intenção de impor – não a força ou pela força, mas através da própria osmose de colaborações – a ideia desses micromovimentos, que podem ser percebidos logo na abertura, “Cão Perdido”, cujas guitarras habitam o éter de Delta Estácio Blues.

Nota-se, por isso, a importância de Kiko em, mais do que imprimir tal estética que viaja pela derivação da chamada nova vanguarda paulista, usar sua voz como artefato puro dessas colocações que realocam inclusive ritmos.

No ápice de Medusa, “Cascuda”, Maria Beraldo coloca um contrapeso arrepiante ao que Kiko canta em todo o disco, não como aversão, mas como se buscasse sublinhar suas colocações vocais e líricas. A letra concatena um único bloco, sem recorrer a uma estrutura próxima de padrão de refrão ou mesmo de melodia vista na forma como os versos se organizam.

Ela então canta enquanto acordes dissonantes vão cada vez mais gerando ruido, e de forma tão onírica o tema aparentemente banal se dissipa pelo ócio: “Você é fauna inteira / Tá-tá-rá”, encerra a jornada etérea de uma lagarta peluda. É de uma lagarta que realmente estamos falando?
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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