
5.4
Just Keep Holding On, de Eera, Halo, de Tiffany Day, Tweaker Poem, de Frost Children e, principalmente, Paradise, de Thaiboy Digital & swedm®. Todos esses discos são impregnados de nostalgia pela EDM dos anos 2000; criadas de maneiras distintas, mas com um objetivo comum: a euforia da pista de dança sob uma ótica futurista, inspirada na evolução da produção ultratecnológica daquela época.Retomar essa visão de futurismo e colocá-la na prensagem estética de estilos como o trance e todo espectro de club com pop hoje pressupõe mais do que acenar a eles, e sim os impor numa perspectiva atualizada, ou seja, apresentá-los sob um ponto de vista moderno. LOST IN LUST, de Pabllo Vittar, é mais um disco que se baseia nessas mesmas premissas, mas acaba se perdendo antes mesmo de alcançá-las.
Porque Pabllo já trabalhou isso antes, e o fez com frescor. Veja bem, o Batidão Tropical (2021) é exatamente o que essa ideia tecnológica, club e pop representa, e mais: é o puro suco do que essa ideia repercute ao tocar no Brasil e criar estilos como o forró eletrônico e o tecnobrega, que ao longo dos anos foram se movimentando junto das aparelhagens e esquemas de performance que inspiram futurismo na veia. E, o mais incrível de tudo, é que Pabllo não precisou seguir os passos errôneos de Anitta e cantar em inglês e espanhol.
LOST IN LUST é esquelético por natureza, vez que traça sons com uma seriedade que não se justifica, pois sua ideia club não se sustenta pela colocação idiomática, não há identificação, e se a intenção era capturar um público internacional com isso: é falho. Todos estão carecas de saber que você, brasileiro, só faz sucesso lá fora se manter os signos brasileiros, e isso inclui precisamente o português brasileiro, e mais ainda: a ideia de futurismo club do brasileiro.
Por isso, a produção de PZZS é estritamente limitante, cultivada num parecer de plano e, por vezes, vazio de idas ao EDM, que goza de um certo refinamento exógeno demais ao que o EDM necessita para ser colocado hoje, ainda mais nas mãos de Pabllo, que é conhecida por sempre fazer uma ótima curadoria.
O que salva são os vocais de Pabllo, que recorrem a posterioridade club da forma como o nightcore fez em meados da década passada. A tal “mistura do forró com eletrônico”, que ninguém sabe dizer o que é forró e o que quer dizer eletronico aqui, se dá bem justamente por atingir um ponto que falha em completude, que é a existência dessa mesma mescla e que, novamente, ela já havia feito anteriormente e muito bem.
Eu fui um grande defensor do Noitada (2023), e ainda o faço. É um disco cujo experimentalismo de gênero finca suas raízes tanto nos ideias club e brasileiros-futuristas de vanguarda que, ainda, espelham muito o Batidão Tropical, quanto reúne o salto que o funk vivia naquele momento de expansão estilística, com muita coisa a dizer e com um valor pop muito alto por ser, sobretudo, cantado em português.
LOST IN LUST, longe de um efeito comparativo, e sim no que se refere ao próprio meio interno ao qual a Pabllo sustenta seus projetos, não consegue a metade disso. Fora isso, é um disco estritamente deslocado de tudo. Poderia facilmente corresponder a essa onda EDM dos anos 2000 dos discos que eu citei no início, mas consegue porque só usa o esqueleto daquilo, brinca com inglês e espanhol e morre nisso.