TIFFANY DAY - HALO


6.8

É estranho notar que existe uma familiaridade deste disco com U, do projeto underscores, lançado há algumas semanas. A semelhança nitidamente vai além do gênero e da forma como tratam da combustão EDM de maneira provocativa e profundamente jovem. É o tipo de música que eu amaria ter conhecido quando mais novo – certo, não sou tão velho, mas há um apelo muito específico aqui, um pulso coming-of-age.

A semelhança com underscores está também na efervescência do som, nessa explosão estética pós-hyperpop que empresta ganchos de diferentes estilos para criar uma música que trata a pista de dança como um lugar diferente do que historicamente ela foi. Essa jovialidade tem um peso enorme nisso. “EVERYTHING I’VE EVER WANTED” é a ponta dessa manifestação presa ao desejo, ao descobrimento. Tiffany canta gritando, e a música explode com a sua voz. É como se fosse a culminação disso tudo.

O grande momento, porém, está em “SAME LA”, e aqui podemos viajar entre diferentes nomes que têm marcado o EDM com uma reviravolta pop explosiva, indo de underscores a Ninajirachi. A música começa com alguns acordes que parecem vir diretamente do início dos anos 2010. Se não fosse Tiffany começar a cantar ali, com seus vocais bem internéticos, eu esperaria que a voz da Katy Perry surgisse, desavisadamente. A diferença de época está no próprio elemento repetição, de modo a fazer com que o refrão seja apenas isso… uma repetição. É puramente Charli xcx.

Durante todo o disco, vigora a voz de Tiffany, que quase permanece imutável. As batidas frenéticas de “PRETTY4U” podem até guiar um rumo contrastante; os baixos estourados de “COPYCAT” podem soar desajustados a ponto de acentuar o elemento nostálgico – que guia esse tipo de abordagem EDM –, mas os vocais são os mesmos. Incomoda algumas vezes e, quando tende a mudar, como em “TELL ME WHAT I DID”, que parte de um ritmo mais lento, como se criasse um rap ali e a atmosfera se torne mais aerada, os vocais no fundo são os mesmos. O disco fica preso numa homogeneidade insípida. E acaba de forma igualmente sem graça, com “IT’S NOT LIKE THAT ANYMORE”, a música mais apática de todas.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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