
8.2
Desde Lateral, de Mammo, meu primeiro contato com o selo Short Span, passei a nutrir, assim como alguns colegas, um interesse específico na forma como seus lançamentos têm dado vida a importantes escolas noventistas de música eletrônica, que vêm se adequando a novas possibilidades, muitas delas abrindo margem para ideias que correm por fora de estéticas já consolidadas e reconhecíveis, como a do dub techno. Ao lado de Picture, projeto do produtor Natal Zaks, estão também nomes como K Wata, que buscou modelar, de forma ainda mais incisiva que Lateral, o dub techno old school para adaptá-lo à sua linguagem contemporânea.
Eeeeeeee faz algo parecido, mas estritamente diferente. Sua abordagem, por vezes, remete aos instantes mais dançantes da conversão criada por Strategy, outro nome que vem repensando as marcas estabelecidas pelo Basic Channel. Enquanto ele opta por um design de som analógico, prensado em fitas para criar os ecos característicos do dub techno, Picture, por sua vez, parece querer desafogar justamente a corrosão gerada pelas batidas que, em tese, deveriam atingir um estado de brutalidade capaz de pacificar a experiência. Não. Ele viola esse estado, e momentos como os sete minutos de “Tyy” derretem enquanto o ritmo parece condensar pulsos volumosos cada vez mais carregados de adrenalina.
“Keee” é onde o tom analógico acena aos cruzamentos com Strategy, com uma textura empoeirada e batidas ainda mais eufóricas, que vão crescendo aos poucos e convencem pelo pico de intensidade sem recorrer a algum tipo de virada ou semi-drop, elementos testados recentemente por produtores que buscam mesclar a veia do dub entre o techno e o dubstep, visto que ambos passam pelo dub jamaicano para criar sua principal marca. É como se, aqui, o estado meditativo convivesse plenamente com instantes mais violentos, pressupondo uma renovação até mesmo na forma como o dub techno vem se desenvolvendo desde então.
Eeeeeeee faz algo parecido, mas estritamente diferente. Sua abordagem, por vezes, remete aos instantes mais dançantes da conversão criada por Strategy, outro nome que vem repensando as marcas estabelecidas pelo Basic Channel. Enquanto ele opta por um design de som analógico, prensado em fitas para criar os ecos característicos do dub techno, Picture, por sua vez, parece querer desafogar justamente a corrosão gerada pelas batidas que, em tese, deveriam atingir um estado de brutalidade capaz de pacificar a experiência. Não. Ele viola esse estado, e momentos como os sete minutos de “Tyy” derretem enquanto o ritmo parece condensar pulsos volumosos cada vez mais carregados de adrenalina.
“Keee” é onde o tom analógico acena aos cruzamentos com Strategy, com uma textura empoeirada e batidas ainda mais eufóricas, que vão crescendo aos poucos e convencem pelo pico de intensidade sem recorrer a algum tipo de virada ou semi-drop, elementos testados recentemente por produtores que buscam mesclar a veia do dub entre o techno e o dubstep, visto que ambos passam pelo dub jamaicano para criar sua principal marca. É como se, aqui, o estado meditativo convivesse plenamente com instantes mais violentos, pressupondo uma renovação até mesmo na forma como o dub techno vem se desenvolvendo desde então.