Eera - Just Keep Holding On



7.4

A guinada recente de Thaiboy Digital para o EDM dos anos 2000/2010 revelou um aspecto muito interessante em torno de nomes que surgem inseridos em estéticas da internet: eles sempre vão ver na eletrônica, independentemente da vertente, uma canalização da razão de fazerem música. Isso porque a eletrônica ainda é vista como um espaço sintético que, em muitos casos, dispensa formalizações que outros estilos acabam cobrando no ato de criar e por isso consegue comportar tanto o fazer DIY quanto a linguagem tratada a partir dessa acessibilidade.

Para artistas como Eera, que faz parte de um movimento, que compõe uma estética da internet e, consequentemente, dialoga com nomes como os da Drain Gang (ele já produziu para Bladee) e, em casos mais específicos, tratando de hip hop, com Babyfather, essa guinada à eletrônica parece natural. Seu novo álbum, Just Keep Holding On, dialoga com Paradise em seu teor de composição, essencialmente o instrumental, percorrendo um EDM tomado por linhas de baixo eletrizantes e dedilhados que denotam certo ideal de sentimentalismo.

É como se ele propusesse que seu som fosse, apesar da carga afiada do EDM, próximo daquilo que produz em seu movimento. Por isso, diferente de Thaiboy, aqui está apenas o seu papel de produtor, sem uso vocal, apenas sua aproximação com outros nomes da eletrônica, como Loukeman, na abertura “Seaglass”, que tem algumas das batidas mais ligadas às pistas de dança do álbum, e Nick León, na faixa “Just Being Honest”, ponto alto das explorações emocionais de Eera, com teclados melancólicos, fragmentos vocais repetitivos e uma ida às tendências club com pop que León vem dominando desde seu prestigiado A Tropical Entropy.

A mesma impressão se dá em “Sad But So Funny”, com o alemão Mechatok, que, caso recebesse os vocais de Ecco2k, seria uma música de autoria transversal, ou seja, deixaria de ser de Eera. Essa quase universalidade estética que a faixa adquire ao criar uma espécie de trance extremamente melódico acaba por colidir com as produções que se popularizaram pelas lentes desses artistas jovens sob o domínio de estéticas que desempenham como produtores de coletivos, no caso de Eera, a Surf Gang. Por isso, o álbum acaba sendo não apenas uma representação do trabalho dele, mas de todo um contexto, de um espaço, de uma intenção, de um nicho que enxerga a eletrônica como uma mãe a ser celebrada sempre.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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