Babyfather - icl



7.8

Seis minutos. O mais recente EP do coletivo britânico tem apenas seis minutos de duração. E é o suficiente pra ser um dos melhores lançamentos do ano. O fato é que Babyfather, a esta altura do campeonato, não é mais um grupo de hip hop que mudou a música no decorrer da década de 2010; são a razão de ainda existir um foco gigantesco na produção que recorre a memória para se efetivar, e o faz através de um trabalho sem igual de amostragem, recorrendo a bases e criando bases sem se dar conta, ou de nos dizer, o que é um ou outro. Mais do que isso, existe o desprendimento, de narrativa, de padrões, de estruturas.

Em “slumpz”, os versos são cantados como se houvesse o menor tratamento possível de vocais, soam como ecos numa casa sem mobília. O beat é marcante, e a forma como é escoltado remete muito a um old school forçado – num bom sentido – e que, novamente, recorre a lembranças. Quando menos se espera, um barulho de spray e na sequência, latidos. Respiração ofegante de alguém fugindo. Passos apressados. Seria uma menção a atmosfera urbana do clássico “BFF” Hosted by DJ Escrow, de 2016? E mesmo se não for, não deixa de ser incrível, pois desde então, 10 anos, ninguém se aproximou de criar ambiências deste tipo no hip hop. O que diz muito da razão do mundo necessitar de Babyfather. Mais do que nunca. icl, uma amostra simples, já é uma ótima degustação.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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