
Poderia ser o dia da textura maluca, dada a quantidade de coisas que acontece em “Melatonin”, novo single de Tinashe, mas ela parece manter um controle quase exato de tudo. Mas o que é, exatamente, esse "tudo"? Pra se ter noção, no Rate Your Music, esses são os gêneros votados na faixa: detroit techno, electro, acid techno, ghettotech, TBM, electroclash. E, o mais engraçado, é que não dá pra dizer se, de fato, a música corresponde a todos eles. O que dá pra saber, é que grande parte dessas estéticas aqui parecem se curvar ao apelo pop que Tinashe encontra assim que começa a cantar.
Os versos disparados em ritmo acelerado combinam com o imediatismo inerente à faixa. As batidas são igualmente velozes, mesmo nos momentos em que o instrumental parece se fragmentar em pelo menos cinco partes distintas. Remete ao detroit techno na forma como a amostra vocal – com mais de um minuto de duração no início – é estruturada sobre uma base de percussão frenética, hi-hats precisos e um trabalho intenso de bateria eletrônica que dispara sons semelhantes a raios laser em todas as direções. A textura resultante apresenta linhas de baixo ásperas e uma sonoridade acid que, assim como todo o restante, se transforma num piscar de olhos. A letra, tão complexa quanto a produção, parece não ter fim. “Why you crying? / I never wanna stop partying, I love this shit”, canta no ápice do frenesi.