Dj Alexia - GENÉRICA


6.5

No melhor momento de GENÉRICA, novo projeto da Dj Alexia, “HEY HOU”, há batidas o suficiente para tornar invasivo o espaço entre funk e qualquer outro ponto de conversão que seja dito próximo da música eletrônica formalista. O disco, que joga com alguns maneirismos bem redundantes do funk submundo, como referências a acapellas antigas (“OS MLK É LISO”) ou a fusão com alguma faixa pop (“DE BIXO”), consegue estabelecer tais maneirismos como parte da proposta, que brinca com a ideia de um som genérico.

É dessa metalinguagem que surge outro bom momento, “VOU SARRAR NOS VAGABUNDO”, que converte os elementos mais genéricos e toscos do já citado funk submundo para algo estritamente dela, como o que definiu em seu apogeu ruidoso Apoteótica (2025) – que panfletei a meio mundo –, e o faz com certa seriedade em encaixá-los ao longo dos pouco mais de dois minutos de duração: tuim, ritmo posto no EDM e uma virada que não é mais do que divertida.

Noutros momentos, a ideia que guia GENÉRICA acaba sendo literal demais, é o caso de “VAI TE CHAMAR PRA DANÇA”, que começa com um canto árabe e vai aos poucos sendo tomado por batidas house bem padronescas, socos que viajam pela secura do beat bolha e ruídos de cama que se posicionam como o centro da faixa. Pode ser um imenso atrativo para quem curte ouvir o mesmo set de 2024 toda vez que pensa num funk inusitado pra aquela época, mas que hoje já soa banal, e desinteressante.

Por sorte, a sequência, “BOTADA”, recupera o que de melhor a DJ tem: rock. É a faixa mais apoteótica do disco, porque trata de tornar genérico algo que não pode ser: o estilo que a DJ criou. É como se ela entrasse em terceira pessoa na faixa para tentar ser aquilo que não consegue ser quando trabalha sua própria criação. O uso dos vocais femininos como se fossem uma amostragem – e não necessariamente uma acapella – torna evidente a importância de se ter DJs mulheres fazendo esse tipo de som: ela aproveita o tom melódico da voz de MC CAROL 011 até quando pode, e baseia as viradas nela. É o suficiente pra mostrar que de GENÉRICA ela não tem nada.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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