
7.1
O novo álbum de Troye Sivan, She's the Best, está longe de corresponder ao brilhantismo apaixonado de Something to Give Each Other (2023), muito embora remeta ao mesmo estado de humor. Dessa vez, porém, ele se preocupa mais em rechear suas faixas com o máximo de elementos externos possíveis ao seu imaginário estilístico, e o resultado é melhor do que apontava.Isso porque a introdução de She's the Best é bem diferente se comparada ao trabalho anterior. Enquanto “Rush” ligava o tanque e bombeava o máximo de combustível para as pistas, “She's the Best” dá a impressão de operar na redução de tudo. Sua estrutura se aproveita de acordes repetitivos e palavras faladas.
O que não muda é o refrão, tão pegajoso quanto. E é neste ponto que Troye mostra que, passados anos, segue sendo um exímio articulador de sons que sempre miram e atingem seu escopo pessoal que mescla sensualidade e homenagem. A maior homenagem de todas está em “Party”, que despeja palavras ao passo que interpola “Music”, de Madonna.
Já a sensualidade é pulverizada, mesmo quando o som – conjunto de arranjos recheados de cordas – indique que exista um cuidado maior em transmitir os temas. É o caso de “Sex Star” e “FF”, em que canta: “put petrol in the car, let it drip on my sleeve”...
Ele sabe da importância que tem dar sentido a palavras e orações muitas vezes descartáveis no pop. Por isso o grande momento torna-se quando justamente aciona seu método de diálogo com o ouvinte em “Embarrassingly”, dando a orações aparentemente simplistas um desvio rico de sentidos. Ele canta, com vocais levados inicialmente por cordas e, na sequência, uma bateria solitária, que dão vez ao seu tom aconchegante.
É uma música que desperta a mais profunda sensação de que ninguém, além dele mesmo, é capaz de interpretar dessa forma. Sobretudo porque é a música mais Troye Sivan que existe, e que She's the Best seria ainda melhor se tivesse mais dela.