Space Afrika - Quiet Storm



7.2

Quando começou, o projeto Space Afrika reuniu um número considerável de explorações prolíficas no dub techno. Isso se seguiu mesmo quando mudaram de vez a abordagem, como em Honest Labour (2021), o melhor trabalho da dupla.

Quiet Storm segue quase a mesma linha. Se aventura em ambiências esparsas, que duelam entre o alto volume e o silêncio contemplativo, com escolhas estilísticas que, mais uma vez, pressupõem uma mudança de abordagem. A faixa de abertura, “Vanity”, com vocais de Axelle Fanyo e um arranjo de cordas denso, acena para a chamber music sem hesitação.

O resultado não é muito distante de qualquer coisa típica do gênero, mas para o duo, tal abordagem parece um tanto fora de órbita. O efeito que se extrai disso passa longe de abstrações, por mais clássicos e orquestrais que sejam. Tal desvio mostra que nitidamente existe um rompimento entre o que eles fazem e o que se cobra como códigos estéticos.

Um momento que exemplifica bem isso é “H00D Ambient”, faixa que passa pelos resquícios da abertura, aproveita uma linha de cordas que funciona quase como uma sustentação de notas típicas do flerte com o drone, mas se limita a construir uma atmosfera. Ampla, clássica.

Os instantes em que opera fora desse quase método, como em “Ballad for a 'G'”, com RXKNephew e Klein, Quiet Storm parece se expandir melhor, atingir um espaço atípico, seja para o projeto, seja para a composição do som em si, que dosa texturas, articula palavra falada e parece conter uma mescla rica em tema com as amostras vocais e a atmosfera, constantemente planejada por eles. É uma pena o melhor momento do álbum ser também o mais curto.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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