
6.3
O duo Frost Children tem, em tese, tudo o que pode conquistar qualquer fã desavisado de EDM: suas músicas não temem atingir texturas rochosas dos mais variados tipos de hardcore que existem dentro dos estilos que tendem a abordar. Por um lado, remetem ao hyperpop que cruzou o início da década de 2020 antes de se dissipar e basicamente sumir do mapa – há um quê de 100 gecs neles. Esse novo EP, Tweaker Poem, deixa claro que a nostalgia talvez seja um apoio necessário para podermos enxergar o que eles querem construir hoje.E esse é o problema. Quase todos os elementos – tanto os estéticos quanto aqueles que usam em busca de atingir uma determinada demografia – soam como partes externas do que eles realmente são. E, se conseguem ser tudo isso, automaticamente não são nada. Por isso, não seria exagero dizer que o Frost Children pouco consegue estabelecer algo próprio, apresentar ideias capazes de ir além das suas referências. A música tem a cara e o jeito deles, mas dá a impressão de não lhes pertencer. Por sorte, se ignorarmos essas questões, digamos, exógenas, o produto em si consegue convencer pelo som, pela adrenalina e pelo apelo implícito do EDM que se vinculou às tendências pop maximalistas da música eletrônica. Mas não dá para ir além disso.