
4.9
Nunca achei que num único dia iria ouvir dois lançamentos do KATSEYE sem nenhum deles ser, oficialmente, do KATSEYE. Primeiro ADÉLA, e agora Rebecca Black. A faixa que abre Age of the Exhibitionist, “Anaheim Star”, é tão irritante quanto o combo de “PINKY UP” e “Hootie Frutti”, uma mistureba infantil com rastros do que o k-pop fazia lá por 2011, e que dava certo dada a superficialidade inerente do gênero.O caso de Rebecca Black é pior porque, de alguma forma, ela está tentando se provar pela vigésima vez consecutiva como sendo uma diva pop que testa ideias alternativas o suficiente para ser vista como uma nova Addison Rae – é incrível o quão próxima de ADÉLA, novamente, ela está.
Age of the Exhibitionist até tenta ir por caminhos mais complexos musicalmente, como o uso de ganchos mais pesados – que pressupõe o pop sujo de Slayyyter – em momentos como “Hot Wet Delirious” e “Miss Delicious”, sendo essa última algo que Grimes faria em 2015 se tivesse menos inspirada na criação do pop perfeito de Art Angels. Por isso, essa consegue ser a melhor música do álbum, vez que ainda há nela algo de positivo a se pensar.
Ainda assim, Age of the Exhibitionist é profundamente calculado, moldado para atrair a atenção dos gays que se empolgam com qualquer coisa que tenha acordes postados em arranhões, bateria emocional e estética próxima do tip hop, é o caso de “Pistol”, que, num horizonte próximo, tenta ser a nova “Headphones On”, mas lhe falta um apelo descomplicado, uma fonte genuína de sentimentos que não a intenção de ser apenas uma réplica. No fim das contas, a faixa que mais consegue ser Rae é “Michael”, mas sua aproximação se dá por uma mescla de “Aquamarine” e “Diet Pepsi”, ambas mais aceleradas e menos interessantes. Podemos dizer que Rebecca Black então conseguiu?