Eisebelle - Mechabatuca



7.9

O novo EP do produtor mexicano Eisebelle, Mechabatuca, se insere numa classificação pouco conhecida: um conceito descrito como música ciberpositiva. A explicação é bem simples: o caos, desregulado e o descontrole tecnológico, a completa oposição à cibernética tradicional. Esse conceito, inicialmente desenvolvido por Sadie Plant e Nick Land por volta de 1992, retorna aqui pela perspectiva do próprio som de Eisebelle, que elimina padrões melódicos ao aderir a percussão, que ignora a linearidade em busca da saturação.

O resultado é uma ida indiscreta ao deconstructed-club, com batidas que buscam causar impacto assim que tocadas. A ideia se apoia na fisicalidade, e flerta, neste sentido, com muito do que é desenvolvido no demográfico latin-club – sem recorrer aos estereótipos e ao quase sempre imposto sentido de que artistas latinos sabem fazer apenas música latina –, que mescla formalidades com elementos estéticos locais, regionais, quase sempre despertos por tambores e ritmos difusos.

A abertura, “darbukas sync”, por exemplo, aproveita acapella de funk brasileiro com batidas metálicas tão rápidas quanto desengonçadas. “salem”, por sua vez, torna a afiar ainda mais a ideia da abertura ao revisitar acapellas de funk (“catucadão”) enquanto recheia sua duração com gritos e linhas de baixo ferozes. “zumbido.exe”, que encerra o EP, vai ainda mais além, trazendo ecos que soam como um aceno à ruptura do dub techno pela ótica modernista de amostragem e samples programados. É um dos pontos altos, e torna evidente a vontade de Eisebelle em de fato saturar e sintetizar as concepções atuais que rondam o club.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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