
6.4
Enquanto o primeiro disco do Vera Fischer Era Clubber, VERAS I, lançado no ano passado, rapidamente atraiu a atenção pela sonoridade renovadora e temas cantarolados por um dos spoken word mais ufanistas da história recente, o segundo álbum funciona mais como uma expansão dessa mesma proposta, sem necessariamente aproveitar o melhor dela para expandir rumo a novos territórios.Opera sem nenhuma novidade, ou algo que se aproxime de causar um escracho sem precedentes, coisa que, pessoalmente falando, me atraia muito no disco anterior. Muito por isso VERAS II soa repetitivo em todo seu esqueleto: da forma ao conteúdo, do meio ao método, da planta à construção final.
Existe por, consequência disso, alguns instantes que, embora sobrepostos por um som que indique cuidado ao oferecer melhor o trato das pistas, como o baixo que abre “É O Pico, É O Ápice”, não conseguem ir além de uma reprodução, ou seja, soam como se tivessem reforçando a mesma coisa por um período de tempo inesgotável.
O ponto alto está na organização estilística, como em “Amor de Anjo”, com Kiko Dinucci, uma faixa repleta de ambiências que justificam sua temperança posta na profundidade com que todos os elementos da faixa se chocam e criam algo nitidamente distinto, sem dizer com liberalidade o que é.
O mesmo vale pra “Calcinha Gozada”, com Katy da Voz e as Abusadas, que funciona como uma combinação rara de absurdos causados por choques anafiláticos de orações que renderia um tópico interminável no Twitter sobre o fato disso ser ou não ser “música”. Pra nossa sorte, o desprendimento que ronda Katy da Voz e as Abusadas é suficiente pra dar sustança ao próprio desprendimento do Vera Fischer Era Clubber simboliza por igual.