Carré - Citrine



7.4

Há um bom tempo a produtora nascida na Califórnia e radicada em Londres vem buscando se firmar como um dos nomes mais relevantes do dubstep. De fato, é um movimento que deve ser visto como um esforço gradativo, e que muitos o fazem, nem que seja mirando outros estilos.

Mas há algo que, para Carré, parece primordial antes de tudo: fazer com que seu estilo seja amplamente reconhecido. E não dá para negar que ela finalmente conseguiu. O dubstep de Citrine viaja por suas batidas reguladas por uma temperança profundamente ligada ao dub, com minimalismo e ecos que batem nas paredes e retornam com força ao epicentro do instrumental.

O melhor momento que define isso é “Sense of Place”, faixa que é sim muito espacial, no sentido físico, e que consegue amplificar seu minimalismo até conquistar um efeito que é profundamente difuso de qualquer coisa parecida que se ouve por aí, especialmente nas viradas e no sub uso dos fragmentos vocais.

Em “Static”, Carré é ainda mais firme na sua busca por fazer dos elementos tradicionais do dubstep um ponto de partida para sua exploração individual. Ela entra numa caçada solitária para guiar os pratos metálicos até que sejam misturados a batidas volumosas e, novamente, cheias de ecos. O resultado é melhor do que se poderia esperar. É cedo para dizer, mas ela certamente está ao lado de Pugilist na renovação do dubstep pós-anos 2010.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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