Pugilist - Found Sound



7.7

Longe de soar reducionista por conter uma profusão de estilos que misturam percussão, sempre acompanhados por um toque de dub, Found Sound reposiciona as explorações de Alex Dickson, agora sob o nome Pugilist, como uma das manufaturas sonoras mais interessantes dos últimos anos. Quando falo desse aspecto manual em sua obra, refiro-me ao efeito que faixas como “Cumulus” podem causar, soando tão analógicas e atmosféricas quanto qualquer coisa que Strategy realizou em seus dois últimos trabalhos.

Found Sound é ainda mais atmosférico, lembrando um pouco as investidas de Skee Mask no IDM. Aqui, porém, Dickson parece enxergar o dub mais como um acompanhamento para o lugar em que pretende inscrever suas próprias assinaturas, algo perceptível na diversidade de ideias que atravessam as doze faixas. Em “Conclave”, a mais extensa de todas, ruídos ambient são repentinamente tomados por toques de baterias secas que ganham espaço através de repetições prolongadas em um eixo empoeirado, à la Burial, sensação que se intensifica conforme fragmentos vocais vão sendo ajustados ao fundo.

A essa altura, Pugilist deixa evidente que o “som encontrado” a que o título faz referência também diz respeito às suas possíveis influências. E é justamente por isso que, mesmo acenando para elas, faz questão de impor suas próprias ideias em contraste com os avanços cada vez mais diretos e literais de cenas como a do dubstep, outrora transformada por Skrillex. O dubstep de Pugilist aqui é mais noturno e mais profundo do que aparenta em “Timelines”. É a forma como ele comunica o encontro da sua própria música.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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