
7.9
Pripyat, de Marina Herlop, é arte sacra em forma de música eletrônica secular. Acostumada a trabalhar apenas com um piano e sua voz, Marina Herlop sempre apostou no minimalismo sonoro para perseverar sua identidade musical. Porém, a mais notória mudança provocada por ela, pode ser vista agora em Pripyat, disco orquestrado por amarrações eletrônicas e uma voz que expande ainda mais os horizontes artísticos da cantora.Com resquícios de ópera, os vocais de Herlop ecoam entre dimensões distintas. O estilo clássico comandado por belos acordes de piano, se mistura com distorções eletrônicas marcadas por disparos ressonantes. O instrumental, confere perfeitamente ao que Björk fez em seus melhores álbuns. É como se Pripyat fosse uma junção do Homogenic com o Vespertine, e a canção "unbutu" parece dar vida a essa comparação.
Para além destas, podemos notar também, um certo estilo de cântico que remete a produção de arte sacra utilizada em cultos da fé cristã. Nesta perspectiva, o trabalho de Marina é ainda mais visceral e encantador.