
7.1
Para falar sobre Yushh não é preciso recorrer a eufemismos nem dar voltas para dizer que seu som – e sua própria existência criativa – grita as pistas de dança europeias que ganharam novo fôlego ao longo da década de 2010. Sua origem em Bristol deixa evidente, para qualquer um, a abordagem retilínea, no melhor dos sentidos, de uma artista focada em estruturas e ritmos bass.Seu EP de estreia na Timedance reúne cinco faixas submersas em diferentes padrões e texturas percussivas que atravessam sua carreira, seus estágios criativos e até mesmo algumas de suas manias, tudo aglutinado ao seu tato contemporâneo para a música de pista. É por isso que o tom industrial da abertura, “Petty Vengeance”, parece brincar com uma espécie de ironia, misturando batidas organizadas em padrões dance a uma composição extremamente densa, marcada por uma dureza nas caixas que não teme soar exagerada.
Em outros momentos, o EP remete ao excelente Look Mum No Hands (2023), sobretudo no que se refere à redução das batidas e ao foco maior no design de som. É o caso da estética cheia de látex de “Mos Def”, que se aproxima de uma ambientação que parece lutar contra a própria ideia de soar minimalista, mesmo quase sendo. São as escolhas de Yushh, afinal, que dão sentido às contradições de pista que ela mesma assume.