
7.3
O EP de estreia do argentino Forest On Stasys no icônico selo holandes Delsin, Deprogramming Of Reality, é uma amostra da sua abordagem estritamente diferenciada de techno. O produtor faz questão de afirmar que sua obra é fortemente influenciada pelo o que chama de techno tribal minimalista dos anos 90, e ao longo do EP é possível captar as nuances em torno dessa classificação que ele dá para o seu techno, que parte de uma escola próxima do minimal e, consequentemente, remete a estruturas clubber ligadas ao downtempo.No grande destaque do disco, “Deprogramming Of Reality”, o minimal dá as caras por entre um ritmo que vai aos poucos crescendo, mantendo a repetição sem grandes alterações de ritmo. A faixa, com mais de sete minutos de duração, parece emular uma atmosfera trance, com algumas percussões internas que de fato absorvem elementos tribais – sem deixar de lado, é claro, o as batidas fixas do techno como pontos centrais do deslocamento que Forest On Stasys promove lentamente. O mais impressionante vem na segunda metade, momento em que a faixa parece se esgueirar por modulações dub enquanto mantém a movimentação presa ao timbre robótico do techno.
“Reptile Genetics”, vem na sequência, e parece ser o completo oposto: começa de forma mais agitada, ainda que grooveada, mas vai aos poucos adentrando aos ecos do minimal, quando de repente se torna um set sombrio e noturno. Quase o mesmo ocorre em “Return To The Source”, dessa vez mais formal na criação de um ambiente temperamental, volumoso. É impressionante o domínio do argentino na construção dessas atmosferas, que acabam corroborando com a maneira com que ele mesmo classifica sua linguagem e referência.