
6.1
O novo EP de HALC DJ parece ser mais uma realização pessoal do que uma investida comprometida num estilo que ele sempre flertou, dado seu som abrasivo e suas produções agressivas. Hardhalc, como o título pressupõe, pincela o hard techno e suas marcas ao longo de cinco músicas e apenas treze minutos de duração. O faz, porém, assim como todos DJs de funk que exploraram recentemente estéticas da eletrônica formal, como o EDM: com instantes que beiram suas vertentes no funk, uso de acapellas de MCs e um design de som que remete exaustivamente a tudo que fica sob o guarda-chuva do “funk submundo”.O resultado da experimentação de HALC chama atenção por funcionar bem, sobretudo porque ser DJ de funk hoje em dia demanda de uma complexidade de leitura de pista e de foco na adrenalina que muitos DJs de techno estão acostumados, especialmente os de techno reto, ou seja, techno de longa duração, com discos e sets que duram horas. Assim como essa galera, HALC entende que a chave central de vertentes hardcore está no tempo rápido do ritmo, por isso faixas como “Madeirada” são criadas num crescendo, que explode rapidamente com seus bumbos antecedendo uma espécie de drop de alta octanagem.
Às vezes, a faixa até descansa, mas é pra pegar ainda mais impulso e, novamente, explodir, dessa vez, ante a algo fantástico: a batida do funk se misturando aos BPMs ácidos na segunda parte da música. Noutros momentos, Hardhalc faz o caminho natural do hard techno e sua evolução pós-anos 90. Em “Stop Calling”, a atmosfera se aproxima das estruturas raves ditadas por um aspecto trance, já em “Hard Universe” nos deparamos com o gabber, que parece ganhar vida própria aqui, é a faixa mais diferente e talvez a mais ousada. Em todos esses casos, todavia, notamos o maior problema do EP: a duração curta das músicas.
Não dá pra exigir que HALC siga à risca o formato estabelecido em sentido de classificação desses estilos, sobretudo porque seria uma exigência demasiadamente purista, que leva a sério demais o tom já despojado do projeto em si. Mas é frustrante sentir os cortes, as interrupções que as faixas sofrem, inclusive nos momentos em que nos vemos submersos no som, para não passar da média dos três minutos. É como se as faixas apenas começassem e evoluíssem, mas nunca terminassem. O fade out da abertura, “Hardhalc”, parece tirar toda a adrenalina que ele constrói para introduzir o EP. É bem anti-climático.