Guza - Amor fati



6.0

Onde essa música quer chegar? Me perguntei ao ouvir “Bmore Strike”, faixa do novo EP de Guza, que há muito agita a cena paulista ao lado do selo Tandera Records. A faixa, assim como quase tudo presente no EP, parte de uma espécie de vazio que é preenchido por batidas e elementos que dão a impressão de serem escolhidos e usados aleatoriamente. E, por mais que a sua base seja suficiente para cativar a ferveção e nos fazer imaginar esse tipo de som pipocando nas pistas, esse vazio, descrito como “design de som digital cru”, pode até funcionar dependendo da forma como Amor fati é visto.

Na sequência, “Entregue”, parceria com djeizza, o vazio é preenchido por uma ruma de amostras, elementos que parecem não se conectar às vezes e uma forma retilínea, cujas surpresas, viradas invertidas, drops e instrumentos de sopro que surgem no meio da faixa também soam aleatórios, soltos. O destaque está na composição que subtrai o funk e consegue usá-lo sem ser, nesse contexto de testagens inconstantes, forçado. Na real, parece um dos poucos componentes que Guza usa sem que seja para querer preencher buracos. O remix de Ariel Zetina de “Vialuz”, música que abre o disco, também funciona, mas é mais pela aderência aos maneirismos sem se preocupar com o resultado final do que pela música em si. A repetição e atmosfera mais agitada desta versão é bem mais interessante.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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