DJ Greg da ZL - Preto Foda Quente Mixtape



7.4

O grande triunfo da nova mixtape do DJ Greg da ZL é ser simples. Digo, de fato existem outros triunfos, como criar um som que remete aos múltiplos espaços que o funk paulista ocupou em sua história recente. A primeira faixa, “Tamborzao Ela Vai Pra ZL”, recorre ao funk mainstream do começo da década de 2010 e fim dos anos 2000. Enquanto “Sequência de Ritmação Empina Essa Bunda e Joga” brinca com o funk rasteirinha, muito popular na metade da década passada.

Em todos os casos, o DJ busca abordar o que é, neste contexto, necessário para tornar parte de suas referências. Por isso tal modéstia o ajuda a percorrer caminhos que carecem justamente de pouca coisa moderna para soar, sem ser exatamente literal, como tendências passadas que hoje soam, inclusive, extremamente datadas. E ele entende isso, vez que evita distrações como mesclas com o EDM e ou o excesso de ruído do mandelão pós-2020.

“Sarrafo”, por exemplo, não soa com nada produzido hoje, a não ser na ritmada. Dá a impressão de que Greg viajou do passado para o futuro (que é hoje) e de lá criou algumas batidas que acenam ao automotivo antes de ele se tornar elemento essencial do bruxaria. Existe, nisso, um trabalho sem igual de pensar as estéticas do momento como pontes para o passado. Por este motivo o final da faixa, que recupera as caixas de ruído seco de nomes essenciais da ritmada como DJ Guina e DJ RD DA DZ7, cresce tanto.

O mesmo efeito ocorre com o beat bolha em “Joga Pra Bandi Piranha”. O beat surge acompanhado de um vocal que dispensa grandes componentes, como aqueles usados nos funks de hoje para imprimir certa expansividade. Essa escolha faz com que a estrutura da faixa soe profundamente minimalista. É justamente o que muitos DJs e MCs buscam, mas sem fazer toda essa viagem à raiz dos gêneros que compõem o mandelão atualmente.

DJ Greg da ZL o faz porque cria, entre essa tensão de passado e presente do funk, uma noção de recompor muito do que se perdeu. Exatamente devido a isto que Preto Foda Quente Mixtape parece simples, porque o passado do funk é de simplicidade: beat e acapella. E, pessoalmente, acredito que o futuro também. Constantemente tenho dito sobre o que se tornou o bruxaria com a invasão do funk submundo. Movimentos como os de Greg aqui, mais do que nunca, reforçam a necessidade de ir para a base, de retornar às raízes.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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