A história é velha: criei o aquele tuim com o propósito de corrigir um até então problema que havia encontrado enquanto redator de outro site. O propósito foi cumprido, e o resultado fez com que o aquele tuim ganhasse vida, crescesse para além do que eu, Matheus José, pudesse prever. Agora eu crio o site remixe, mas que sequer se aproxima do mesmo propósito, pois não quero rivalizar com o aquele tuim e seu legado, pelo contrário, vejo na criação deste projeto mais um passo importante da escrita independente, informal e movida a paixão no Brasil.

remixe partirá de algumas diferenças editoriais importantes, e que torna mais simples essa paixão ser efetivada. Começa pelo fato de que aqui serei apenas eu e algumas pessoas próximas que terão livre acesso pra escrever, sem qualquer compromisso, sobre o tipo de música que buscaremos abordar. Como o propósito deste site é criar um acervo de críticas de música eletrônica e similares, e nada além disso, haverá uma liberdade maior na escolha das pautas. Não que não houvesse no aquele tuim, mas lá precisávamos, devido ao alcance, pisar em ovos em pautas de relacionamento e exclusivas, que tinham maior contato com artistas.
O nome
O nome nasce da própria ideia de mistura. “Remix” (reorganizar, adicionar ou alterar elementos de uma faixa) + “e”, formando uma palavra que sugere a ação contínua de remixar. Esse “e” atua como um elemento de extensão e continuidade, pois na língua portuguesa é uma conjunção coordenativa aditiva, responsável por somar e dar sequência a termos e ideias. Aqui, porém, ele também move a palavra de sua forma original (transição de um substantivo em inglês para um verbo imperativo em português), aproximando-a de uma construção verbal do tipo “misture” ou “transforme”, produzindo portanto um efeito de dinamismo. Deste modo, “remixe” deixa de nomear algo parado, estático, e passa a evocar algo que se move, um processo em andamento. É um estrangeirismo que foi redirecionado para nosso benefício, por isso o nome dialoga firmemente com a nossa visão de pluralidade da música eletrônica e com a importância de encarar esse universo como um processo em constante transformação.Por que continuar escrevendo sobre música hoje?
Como estudante de Letras, sempre tive muito contato com diferentes meios, características, variações e propósitos e despropósitos de escrita. Desde que, por intermédio do meu curso, tive contato com a ideia, sustentada por Maria Lúcia T. Mayrink-Sabinson e Raquel Salek Fiad, de que escrever é trabalho, passei a enxergar a produção escrita de forma subjetivamente diferente. Para as autoras, a escrita é um trabalho no sentido de ser uma atividade intencional, planejada e refletida, que exige desenvolvimento de habilidades específicas e que está profundamente atrelada em contextos sociais e culturais. Mas vou além disso, e sempre digo que escrita é estudo, pesquisa e formalização de conhecimentos.Quando se escreve sobre música, especialmente o tipo de música que passa despercebida diante dos grandes jornais, cria-se uma percepção muito rica de abordagem e mesmo de descrição. Envolve nomear as coisas – aí está a teoria musical – e envolve pensar, e muito, sobre aquilo que ouviu, consumiu. Por isso acho que todo fã de música ou de cinema DEVE escrever. É parte do conhecimento que se adquire. E eu não consigo ficar sem escrever.
Eu escrevo em casa, escrevo no meu estágio, escrevo na faculdade, escrevo no ônibus, escrevo no ponto de ônibus, escrevo antes de entrar e depois de sair do cinema. Minha vida é escrita. E escrever sobre música, agora, é parte da minha vida. É parte do meu exercício, da minha formação. Lembro-me da minha professora de literatura, ao comentar sobre crítica literária, dizer para a turma: “Começam a escrever. Se você não gosta de escrever, mude de curso”. E desde então eu nunca mais parei de escrever.
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Editorial