
7.3
Numa conversa com o jornalista Shaad D'Souza para o site Resident Advisor, Honey Dijon retornou a falar de como quando cresceu tendo contato com toda uma cena que se desenvolvia ao seu redor, e como os primórdios da vida noturna tiveram impacto na criação de seu novo álbum, The Nightlife. A DJ, produtora e fashionista assume ser, também, uma estudiosa dedicada da música eletrônica dance, informação que confere não apenas através de suas excelentes criações, mas também em suas próprias escolhas. É o caso do seu DJ Mix de 2024, DJ-Kicks, que conta com uma penca de faixas e artistas extremamente importantes do house – é, de longe, o melhor lançamento dela.The Nightlife não fica muito longe. Aqui, ela traz de volta as estruturas que explorou em Black Girl Magic (2022), com suas batidas e composições instrumentais articuladas com vocalistas que se dividem em escolhas referentes ao contexto musical de raízes negras e queer na música pop. O resultado é bastante formulaico, por seguir essa estrutura mesmo. São momentos que, apesar de expelir uma força sublime em suas batidas, como na sequência “Just Friends” e “International”, não fogem disso. Honey, devido a isso, acaba apelando por criar ganchos excessivamente didáticos, distanciando-se de um apelo mais denso dos estilos que domina, em peso, o diva house.
Ainda assim, há muito o que aproveitar em The Nightlife. Como as músicas “Private Eye” e “New Wave Groove”, sobretudo pela presença de Rochelle Jordan. É uma combinação perfeita, que embora soe um pouco perdida dentro do álbum, cria algumas das batidas e melodias instrumentais mais marcantes. É recorte de pista mais empolgante pelo simples fato de unir as marcas de Rochelle (seus vocais R&Bzados) e as batidas de Honey, que ganham corpo e quase explodem as caixas. É nessas duas faixas, em especial os teclados da segunda, que The Nightlife parece corresponder ao seu título.