DJ Pablo RB - D.T.N.C



7.7

Quando o DJ Pablo RB lançou o disco Rei do Agressivo (2023), pouco se sabia, em termos de classificação e de estilo, o que o termo “agressivo” queria simbolizar: é uma vertente? é uma técnica de produção/composição do funk paulista? é tudo ao mesmo tempo? Essas dúvidas foram respondidas pelo DJ RORO em Montagem Funk 3000, o melhor álbum de funk do ano passado. É por isso que o novo álbum do DJ Pablo RB, D.T.N.C, surge não apenas inserido adequadamente num contexto que o próprio DJ ajudou a criar, mas também parece parece corresponder, como nenhum outro, ao que o agressivo é em 2026, três anos após ele praticamente dar início a tudo o que sabemos a respeito dele.

D.T.N.C (abreviação de “Dando tiro na concorrência”) é agressivo do começo ao fim, pois mesmo que o disco use acapellas e beats bastante conhecidos, e que são marcas do funk, como o tamborzão, aqui traçado numa perspectiva do funk paulista, mais acelerado e cheio de tuim, seu ponto de ebulição está na estrutura. “METE METE DO SUBMUNDO”, com Novin Yarp, Mc Gw e MC GIBIZINHA, por exemplo, brinca com o chamado funk de submundo, que primeiro surgiu de um conceito vindo do beat bruxaria ditado por DJ K, que é o funk mais ruidoso e barulhento possível, mas que passou a ser atrelado a um funk de eletrônica formal, com foco na forma como vai soar nas caixas de som de eventos como a Submundo 808, que também envolve a reação do público. A faixa é certeira neste sentido, pois usa um tuim menos agudo e mais melódico, um beat que desafia as sirenes. É como se o refrão fosse justamente o barulho incessante desse elemento, acompanhado pelo tambor e a repetição do MC.

“DESTRUIÇÃO GLOBAL”, com DJ Léo da 17, DJ Vaz do Bega, Mc Henry e MC RN Original, opera de forma parecida, vez que embora use a já clássica “Faz A Pose” – também conhecida como acapella do “Senta e Trepa” –, faixa bastante conhecida como uma das mais reimaginadas do funk, o que torna ela diferente é a intensidade da agressividade dos beats. É meio que literal, pois realmente parece destruir os beats e os elementos usados. Os versos acabam na metade da música, e o restante são apenas fragmentos repetidos e puro instrumental corrosivo.

Para alcançar esses efeitos, DJ Pablo RB precisou se atualizar não apenas das tendências pós-2023 do funk paulista, mas também de novas formas e técnicas de produzir. “TRAP DO MANDELA”, com DJ Talala e MC ZL, tem o design de som mais inovador de todos. O ritmo é arrastado, brinca com os graves do trap, com uma acapella rápida, mas logo é tomado pela batida comum do funk, que aproveita o grave do trap, como se criasse um beat novo, lento e que fica tão alto a ponto de ofuscar os outros recursos estéticos presentes. Parece que estamos ouvindo a música num cômodo de quatro metros quadrados com o alto-falante no máximo.

Em outros momentos, D.T.N.C volta sua agressividade para aspectos ainda mais próximos da eletrônica clubber que o funk submundo tem ajudado a definir. É o caso de “APOCALIPSE CAOTICO”, com DJ Mandrake 100% Original, Mc Mascara e MC Vini do KX, que conta com elementos do hard techno e “FEITIÇARIA UNTITLED”, com DJ Caio Prince, Mc Jhey e Mc RN Original, que usa as batidas clássicas, porém as mais formalistas possíveis, de house. Por fim, D.T.N.C acaba tratando mais do que as visões atuais do nome mais importante do funk agressivo, com ida a tendências recentes do funk, e sim dele abrindo espaço para nomes que têm ajudado, assim como ele fez, a redefinir algumas características comuns do gênero.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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