Os melhores discos de 2026 (até agora)



Uma lista com Bia Soull, Robyn, DJ Ramon Sucesso, Bill Orcutt & Mabe Fratti, Drake, Ana Roxanne, Ajítenà Marco Scarassatti, Vita, leroy, Aho Ssan, RHR, Thaiboy Digital & swedm® e mais!


Estamos na metade de 2026 e aqui estão os melhores discos lançados entre janeiro e o começo de junho, em diferentes formatos e estilos de música eletrônica e experimental. Confira!

Nota: todos os textos desta lista são fragmentos de críticas escritas no site.



DJ Pablo RB - D.T.N.C

Quando o DJ Pablo RB lançou o disco Rei do Agressivo (2023), pouco se sabia, em termos de classificação e de estilo, o que o termo “agressivo” queria simbolizar: é uma vertente? é uma técnica de produção/composição do funk paulista? é tudo ao mesmo tempo? Essas dúvidas foram respondidas pelo DJ RORO em Montagem Funk 3000, o melhor álbum de funk do ano passado. É por isso que o novo álbum do DJ Pablo RB, D.T.N.C, surge não apenas inserido adequadamente num contexto que o próprio DJ ajudou a criar, mas também parece parece corresponder, como nenhum outro, ao que o agressivo é em 2026, três anos após ele praticamente dar início a tudo o que sabemos a respeito dele.



Ta1da - BASS CULTURE

As caixas de “RESPECTFULLY”, que introduzem o EP BASS CULTURE, de Ta1da, podem até ser facilmente reconhecíveis no contexto de estéticas mais próximas do drum and bass e de técnicas de breakbeat que dominaram a metade dos anos 90 na música eletrônica, mas, no meio da música, tudo muda abruptamente com o acréscimo de elementos mais cartunescos, fragmentos melódicos mais dançantes e bumbos que saltam em velocidade praticamente irrastreável.



Grace Ives - Girlfriend

O novo álbum de Grace Ives, Girlfriend, é um passo adiante no que ela sempre fez. Dá a impressão de que, em sua carreira, seus discos são como escadas que vão, cada vez mais, levando sua abordagem pequena a um novo patamar, sem deixar de ser pequena. O disco é propositalmente desajustado; seus sons viajam por uma paleta tão própria que só faz sentido no contexto de Grace e de suas obsessões temporárias, que ela dá vida através das paredes do seu quarto.



Aho Ssan - The Sun Turned Black

Na capa de Limen (2022), disco em parceria com KMRU, há fogo. Destruição. Seu som, igualmente: uma vastidão perturbadora de ambient, ruído branco e um lembrete que nós não somos ninguém ante a natureza, e ainda assim a tocamos, violamos. O novo álbum de Aho Ssan (Niamké Désiré), The Sun Turned Black, trata de um sentimento parecido de devastação. Neste caso, uma devastação geográfica, espacial, marcada pelo deslocamento, pela diáspora, mas também pela imprecisão, pelos desvios de forma e de padrões narrativos.



DJ Ramon Sucesso - Sexta dos Crias 2.0

O novo disco do DJ segue pelo mesmo caminho da obra de 2023, exceto pelo fato de ir além do que ele havia demarcado lá. É bem mais expansivo, dialoga diretamente com o que o funk se tornou desde então e funciona como um resumo perfeito da febre do funk carioca, dos virais e dos beats que se popularizaram no TikTok. Por isso, não é difícil pensar que se o funk do RJ atual tivesse o poder de se transformar em um único disco, ele viraria este aqui na mesma hora.



xavisphone - balança e paixão

O álbum coleciona algumas das faixas mais empolgantes do produtor nesta seara, mesmo que não seja algo tão extraordinário – não me interpretem mal, mas a grande maioria das coisas aqui rondam o mandelão há anos, sobretudo essa ritmada mais densa em construção rítmica, com abuso de metais como parte da percussão, e que de uns tempos pra cá vem emprestando texturas e tom minimalista do funk de BH, como a faixa “Melodia dos Meno Progreço”, do RD DA DZ7, DJ KLP OFC, MC ZKW e d.silvestre.



KMRU - Kin

É impressionante como a pouca variação, quando cultivada em um terreno próximo dos experimentos físicos e materiais de nomes como KMRU – ou apenas Kamaru –, artista queniano que atualmente desenvolve suas ideias em Berlim, parece se distanciar conforme o tempo avança. Se em Natur, de 2024, ele trabalhava com a justaposição de drones e texturas eletrostáticas que zumbem para o passado e parecem gerar um ambiente interdimensional, em Kin parece ir além.



RHR - GÍRIA

O EP de estreia de RHR pelo selo PAN, GÍRIA, trata de manter uma compreensão pessoal e, em termos morfológicos, do que a gíria simboliza no português brasileiro e em suas variações. É sobretudo uma forma que ele encontra de expressar sua ligação com o seu contexto de criação: “Minha música sempre foi influenciada pela capoeira e pelas tradições percussivas brasileiras”, explica na página do EP no Bandcamp. Mas é possível ir além, como a própria acapella de “SÓ ENVOLVIDO”, com Logan_olm, pressupõe: parte de uma fixação do que o funk, e o uso constante da variação urbana que conhecemos dos três continua nele, ainda comporta, e de sua ruma dentro de um aspecto que transcende o som e justifica a travessia para terrenos tão férteis para o símbolo que se cria aqui. “Isso é só de bandido / Vai colando só quem é envolvido”, ouvimos do trecho marcante da letra de “Medley dos Envolvidos”, de MC GH Magrão.



DJ Asexual - DA GAME

DA GAME, novo EP lançado por DJ ASEXUAL, se inspira nesse contexto (noventista) para revitalizar o gangstep sob um olhar contemporâneo, atual no sentido de acentuar as características do estilo e retornar às suas raízes justamente no jungle. Mais do que isso, reina, neste curto enxerto de recomposição estética, uma visão que parte de um certo revisionismo positivo – se é que isso faz sentido – pois contém sobretudo uma realidade de produção queer.



Robyn - Sexistential

Sexistential é bem curto. Muito conciso, na verdade, o que é tanto um ponto positivo quanto negativo. É positivo porque Robyn sempre lançou álbuns maçantes e por vezes monótonos, mesmo que bons, como Honey. É negativo porque dá a impressão de que as músicas acabam se fechando em estruturas muito definidas, com linhas de sintetizador que se repetem bastante como marcadores de tempo, como se fossem a base da maioria das canções. Você ouve essa batida quase minimalista em momentos como “Sucker For Love” e “It Don’t Mean A Thing”, que também apresenta uma voz robótica, muito reminiscente da estética futurista de Body Talk. É bem nostálgico.



Vita - VITA'S HOUSE

Assim como grande parte dos melhores álbuns lançados em diálogo com a cena do funk underground, VITA'S HOUSE tem uma extensa lista de colaboradores e convidados. O disco, como um todo, também é bastante extenso, esbarrando nos cinquenta minutos de duração. Ser, por extenso, é um dos atributos da estreia solo em grande estilo de Vita. A artista há muito demonstra certo apreço por grandes nomes deste mesmo espaço que ela ocupa, como Linn da Quebrada. Por alguns instantes, VITA'S HOUSE grita em semelhança com projetos como Pajubá, sem deixar de lado as suas próprias colocações estéticas e líricas, é óbvio, e este é também um dos seus grandiosos atributos.



Ajítenà Marco Scarassatti - Isto Dando Samba

A ideia de Isto dando Samba é bem simples: testar os limites do samba, fazê-lo dentro do espaço da música experimental, e através de seus instrumentos facilmente reconhecíveis. O que Ajítenà Marco Scarassatti faz aqui, porém, beira o desconhecido. É um disco de samba, ao mesmo tempo pouco se aproxima – não em sentido de possibilidades, mas do que se tem de adequação e classificação hoje – de um. Sua linguagem está aqui, amplificada, por vezes dispersa, mas ainda presente.



Mammo - Lateral

Para discos como Lateral, é preciso assumir alguns pressupostos. Mammo por muito tempo permaneceu anônimo, se escondendo atrás de um pseudônimo que começou a chamar atenção de alguns vários fãs de música eletrônica por dar seguimento a um tipo de abordagem minimal que raras vezes se concretizou, se efetivou, da forma como o fez, a ponto de gerar percepções fixas de estilo. Outro pressuposto, é justamente este: o de assumir que faz e que está fazendo algo cujo retorno vai mexer com o imaginário das pessoas.



Bia Soull - PORNOGRAFIA AUDITIVA

A centralidade narrativa tanto no funk quanto no hip hop sempre foi masculina, falocêntrica. Embora a presença feminina tenha crescido nesses espaços, a hegemonia do hedonismo seguiu voltada ao prazer masculino. Bia Soull, como muitos já devem saber, propõe justamente o oposto disso em seu álbum PORNOGRAFIA AUDITIVA, que não apenas desmonta esse controle exacerbado da putaria masculina, como também torna evidente a maneira de fazê-lo.



Babyfather - icl

Seis minutos. O mais recente EP do coletivo britânico tem apenas seis minutos de duração. E é o suficiente pra ser um dos melhores lançamentos do ano. O fato é que Babyfather, a esta altura do campeonato, não é mais um grupo de hip hop que mudou a música no decorrer da década de 2010; são a razão de ainda existir um foco gigantesco na produção que recorre a memória para se efetivar, e o faz através de um trabalho sem igual de amostragem, recorrendo a bases e criando bases sem se dar conta, ou de nos dizer, o que é um ou outro. Mais do que isso, existe o desprendimento, de narrativa, de padrões, de estruturas.



Thaiboy Digital & swedm® - Paradise

Já no ponto alto de Paradise, a faixa “Christian Louboutin”, Thaiboy evita se conter. As batidas deixam de ser apenas nostálgicas e passam a ser efetivas em sua estruturação revisionista do EDM. Tudo ferve em explosões acompanhadas de repetições que firmam seu sentido estético, organizadas por uma ponte que não víamos desde o auge da febre nightcore. É a explicação plena de sentido para a criação de um álbum como esse, e ele só consegue fazê-lo funcionar porque possui coragem suficiente para brincar com marcas sonoras, ou melhor, perturbá-las até arrancar delas uma contração própria de ritmo e estilo.



Nene H - Second Skin

O que também torna Second Skin chamativo são os fragmentos vocais e sinais de emissão característicos de sonoridades do Sudoeste Asiático, colocados em evidência nesses momentos mais “naturais”, guiados por percussões e estilos dance que se afastam de uma simplicidade club centrada no eixo ocidental. E, apesar de não ir muito além dessa mescla, Nene H consegue fixar sua própria forma de compor, atravessada tanto pela formalidade de gêneros presentes em abundância, como o techno, quanto por raízes culturais que, querendo ou não, conferem maior profundidade ao que busca abordar.



Ana Roxanne - Poem 1

Em seu novo álbum, Poem 1, Ana mantém parte do que cultivou no passado. Dessa vez, porém, seu som parte de ideias mais acessíveis. Sua voz agora parece servir como acompanhamento para seus toques delicados, como acontece em “Berceuse in A-flat Minor, Op. 45”. Essa diferença, perceptível pela formalidade com que compõe não apenas os sons, mas também suas letras e a própria organização instrumental, surge igualmente de uma nova noção de exposição dos sentimentos causados por um término.



Pugilist - Found Sound

Longe de soar reducionista por conter uma profusão de estilos que misturam percussão, sempre acompanhados por um toque de dub, Found Sound reposiciona as explorações de Alex Dickson, agora sob o nome Pugilist, como uma das manufaturas sonoras mais interessantes dos últimos anos. Quando falo desse aspecto manual em sua obra, refiro-me ao efeito que faixas como “Cumulus” podem causar, soando tão analógicas e atmosféricas quanto qualquer coisa que Strategy realizou em seus dois últimos trabalhos.



Rosa - Bike Club

Rosa, ora como DJ Rosa Boladão, ora apenas Rosa, transita entre o funk, o pop, o experimental e a eletrônica formalista. Em Bike Club, investe nessa segunda vertente, explorando uma sonoridade mais ligada à eletrônica de clube. “SPB” parte de um fragmento vocal sobre uma camada básica de techno, depois preenchida por pratos e claps que constroem uma atmosfera fechada e intensa. A repetição dos vocais, das batidas e o drop reforçam essa tensão ao longo da faixa. Já “Selvagem” segue estrutura semelhante, mas de forma mais contida e voltada ao aspecto hard. Os snares se acumulam até quase transformar o ritmo em algo tribal, marcado por uma secura insaciável. Sem recorrer à padronização, Rosa desafia normas, especialmente com a linha de baixo que invade a segunda metade da música.



Golden Kong - Marginal Pinheiros

Lançado para agitar o primeiro semestre de 2026, o EP Marginal Pinheiros, de Golden Kong, DJ e produtor natural de São Paulo, trata da conexão que ele mantém com a cidade, cada vez mais imersa na crescente onda de techno que vem tomando as festas da metrópole nos últimos anos. O trabalho surge como sua contribuição para esse cenário em constante expansão, carregando marcas e ideias de composição que fazem sentido dentro desse contexto.



leroy - status update music

A raiz da maior parte dos melhores movimentos musicais na era digital está no mashup, que combina tanto técnicas de remixar quanto de reimaginar faixas, condensá-las e criar, a partir disso, algo novo. status update music, de leroy (Jane Remover), atua prontamente para tornar evidente a sua forma de criar uma espécie de movimento próprio, apoiado em estilos como o dariacore e deconstructed club. O resultado é um dos discos mais divertidos de 2026.



Haréton Salvanini - Sairé (BENO & Pebo Remix)

Diferentemente de outros lançamentos do selo Banana Gold Records, Sairé (BENO & Pebo Remix) se apresenta publicamente como um trabalho que evidencia a linha entre passado e presente de um recorte específico, um instante que decidiram revisitar para recompor justamente essa ligação. A música e sua mixagem surgem, assim, como uma versão repaginada de um clássico da música brasileira, “Sairé”, lançada originalmente por Hareton Salvanini em 1989.



Lon Sounds - Malicia / Back To The Beginning

Este incrível lançamento do selo Banana Gold Records ocupa o limiar entre a perfeição house e escalonamento de referências convertidos em inspirações, neste caso, a presença de "Menina Mulher da Pele Preta" de Jorge Ben na faixa “Malicia”, que funciona como um remix cujo processo de reimaginação a fez tornar uma peça totalmente à parte, nova.



Residentevie - T-VIRUS

É algo próximo do que d.silvestre faria se estivesse mais inspirado em O Que as Mulheres Querem, trabalho que se insere de maneira mais direta no universo da bruxaria. É por este contraste que T-VIRUS soa ainda mais interessante, pois parte de ideias tão refrescantes quanto inusitadas.



Majd Barakat - Yo, Dude

Apesar de recorrer constantemente a uma estrutura baseada em batidas presas a uma padronagem house, com instantes dub que apontam para texturas voltadas ao minimal, Yo, Dude, de Majd Barakat, encontra sua força sobretudo em uma perspectiva de trabalho com amostragem. Seus samples são posicionados muito próximos da bateria e dos efeitos percussivos que despontam de diferentes direções.



Temudo - And The Pattern Repeats

É possível notar instantamentante e perceber, com certa facilidade, a intenção de And The Pattern Repeats em partir de uma intenção fincada nas pistas de dança. Logo na abertura, “Over You”, a repetição da batida, maleável e de certa forma mais acessível, demarca onde Temudo pretende chegar. Lançado em parceria com Primal Instinct, um dos selos mais interessantes de techno de Berlim, o EP trata da “convergência natural” de ambos os fatores que constituem o disco: autor e casa.



Drake - MAID OF HONOUR

A descompressão e a leveza com que este álbum é feito nada mais são do que a afirmação de um Drake descompromissado, sem se levar a sério, testando coisas que fazem as espinhas arrepiarem de tão bregas, antes de virarem verdadeiros BOPs. Porque o apelo pop daqui é o guia de suas incursões através de elementos eletrônicos que transformam o hip hop, é o caso do hip house, do miami bass e do jersey club.



Bill Orcutt & Mabe Fratti - Almost Waking

Os primeiros segundos da faixa-título, que também abre o álbum colaborativo entre Mabe Fratti e Bill Orcutt, anteveem aquilo que ambos os artistas irão explorar ao longo do disco. É até um pouco literal nesse sentido: os timbres improvisados da guitarra de Orcutt surgem em consonância com os acordes de violoncelo de Fratti. A colaboração, nascida de contatos despretensiosos e de uma admiração mútua, reúne algumas das características centrais do trabalho de cada um.



Moneyglitch - formless turmoil

O ritmo de formless turmoil não se aproxima nenhum pouco dos estilos mais densos de techno, como o hard e o acid, também passa longe das arestas em tese tranquilas do ambient e do minimal. Sua estrutura beira um brutalismo, um efeito industrial que gera uma ambientação constantemente vigilante, noturna. É o tipo de som que escorre pelas frestas de um galpão abandonado, como os que deram vida aos clubes mais icônicos da cena alemã.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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