Rxfx - SDM2



7.8

Desde RASGA!, lançado no ano passado em parceria com LUCAS KID, Rxfx vem ocupando o centro de um exemplo tátil da forma como o design de som – mais como elemento que independe da necessidade de ser utilizado – pode ser ajustado ao funk e às suas premissas, que, na maioria dos casos, sequer passam por processos rigorosos de pós-produção. Ainda bem. O novo lançamento do produtor, SDM2, abreviação de “som de maluco”, desponta como um modelo completo dessa questão.

Primeiro, porque não apenas valoriza a boa produção – o aspecto técnico, o instante em que se senta e organiza suas composições através de softwares, criando texturas e ritmo – como parte de uma linguagem a ser compreendida pela modernidade do formato em que o próprio gênero vem se moldando, mas também como parte integrante de sua exposição criativa, centrada justamente nesse mesmo design.

Em “NESSE PIQUE”, com bieL onLine, por exemplo, os fragmentos vocais são organizados de modo a permanecerem submersos nas batidas, com momentos instrumentais tão secos – e agressivos, embora não no sentido tradicional do funk, mas em um sentido mais próximo do EDM – que parecem recuperar a ideia de beats criados pensando na experiência do ouvinte, como o beat bolha e sua característica plástica. A faixa carrega esse caráter, mas também se aproxima de tendências mais formais da música eletrônica, como o dub.

A sequência, “BALA!”, com dudda, parte dessa mesma composição, mas é muito mais física. Suas percussões evoluem de batuques naturais para verdadeiros lasers que vão, aos poucos, se afinando até culminarem em assobios que remetem, mas não adentram, a psicodelia do tuim. É um dos melhores momentos de SDM2, ao lado de “BOTADA FORTE”, com keu, que parece se organizar em torno da ritmada, com batidas tubulares, caixas secas e pontes minimalistas que atravessam, em questão de segundos, a discografia de DJ RD DA DZ7 e DJ Guina.

Esses momentos funcionam tão bem justamente porque existe, por trás deles, um aspecto voltado ao design de som seco, à mistura estética dos múltiplos funks e à formalização da composição que Rxfx prioriza não como forma de se distanciar do gênero, mas de potencializá-lo, de criar a chamada de um som que de fato é de maluco.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

Postagem Anterior Próxima Postagem