Fabio Santanna - Bateu Onda



5.9

Num dos apontamentos que você encontra por aí sobre Bateu Onda, o novo álbum do produtor carioca Fabio Santanna, diz-se para fecharmos os olhos e sentir uma das músicas. O disco se apoia bastante nessa ideia de criar uma atmosfera que remete à tranquilidade, ao ócio, e por isso seu som se guia justamente por uma estética groovada, extremamente passiva de se ouvir.

Não oferece nada muito além disso. São quase uma hora de duração com elementos que parecem limitados a recuperar a mesma sensação pueril de estarmos presos a uma construção sem fim de energia boogie. Ao menos, isso funciona em partes, como na faixa “Banho de Mar”, que não foge da repetição temática e estética do álbum, com a diferença de soar um pouco mais intensa que as outras, criando um contraste interessante de se perceber, com batidas e uma linha de baixo que aquecem os ouvidos, é onde está o centro tropical do álbum.

Outro bom destaque é a faixa-título, “Bateu Onda”, cujo ritmo mais agitado e inconforme também salta à frente das outras. A faixa tem cinco minutos repletos de elementos presentes no restante do álbum, mas consegue soar dinâmica, por fazer isso por meio de uma combustão quase psicodélica, como se de fato descrevesse uma onda, uma brisa muito boa. Quando o sax surge com uma linha puramente dançante, cria um dos melhores momentos.

Por ser um material pensado para ser consumido a partir de uma noção firme de descontração, sua temática combina com esse momento, como uma forma de criar uma experiência. Para quem não está nesse estado, ou simplesmente não deu match com a proposta, Bateu Onda pode não ser tão atrativo. Este é o meu caso.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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