Nia Archives - emotional junglist



6.9

Nia Archives faz questão de afirmar que este não é um álbum de jungle, mas sim um álbum de Nia Archives, ou seja, uma vitrine de suas experimentações que se recusam a ficar confinadas a um único estilo. De certa forma, ela tem razão, vez que emotional junglist pode até manter suas bases em caixas aceleradas e na interseção de tendências dos anos 90 que deram origem a gêneros eletrônicos hoje referenciados, sob diversas perspectivas, em todo o mundo.

A perspectiva dela, no entanto, é profundamente voltada para o pop. Sua incursão no drum’n’bass é agora guiada por uma nostalgia da virada do milênio (a era Y2K) que bebe diretamente de estilos populares dos anos 2000, variando do indie rock de “Danger” a uma sonoridade pop que remete ao auge de Lily Allen, como se ouve em “Vertical”.

O fato é que emotional junglist lida com o dilema de não ser verdadeiramente, ou pelo menos não categoricamente, nem de forma purista, um disco de jungle. Suas ideias, que transitam constantemente entre várias tendências, muitas vezes parecem deslocadas e carecem do brilho que esse tipo de abordagem possuía, digamos, alguns anos atrás. Consequentemente, acaba sendo mais um álbum que aposta na nostalgia impulsionada por escolhas estéticas. A diferença é que Nia conduz isso bem, especialmente quando incorpora aquelas suas batidas instantaneamente reconhecíveis de… jungle.
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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