
6.9
Nia Archives faz questão de afirmar que este não é um álbum de jungle, mas sim um álbum de Nia Archives, ou seja, uma vitrine de suas experimentações que se recusam a ficar confinadas a um único estilo. De certa forma, ela tem razão, vez que emotional junglist pode até manter suas bases em caixas aceleradas e na interseção de tendências dos anos 90 que deram origem a gêneros eletrônicos hoje referenciados, sob diversas perspectivas, em todo o mundo.A perspectiva dela, no entanto, é profundamente voltada para o pop. Sua incursão no drum’n’bass é agora guiada por uma nostalgia da virada do milênio (a era Y2K) que bebe diretamente de estilos populares dos anos 2000, variando do indie rock de “Danger” a uma sonoridade pop que remete ao auge de Lily Allen, como se ouve em “Vertical”.
O fato é que emotional junglist lida com o dilema de não ser verdadeiramente, ou pelo menos não categoricamente, nem de forma purista, um disco de jungle. Suas ideias, que transitam constantemente entre várias tendências, muitas vezes parecem deslocadas e carecem do brilho que esse tipo de abordagem possuía, digamos, alguns anos atrás. Consequentemente, acaba sendo mais um álbum que aposta na nostalgia impulsionada por escolhas estéticas. A diferença é que Nia conduz isso bem, especialmente quando incorpora aquelas suas batidas instantaneamente reconhecíveis de… jungle.