Octo Octa - Sigils For Survival



7.6

A primeira coisa que ouvi de Octo Octa foi o EP More Times (2015), que havia acabado de ser vendido numa loja de vinil só de música eletrônica chamada Portal Trax, bem popular por alguns colecionadores de São Paulo. O EP parecia uma mistura de house com techno, mas de um jeito denso, substancialmente recheado de grooves e algumas batidas futuristas que pareciam difusas para o house, e de fato eram.

O trabalho da DJ e produtora americana Maya Bouldry-Morrison sempre dispensou as facilidades, sejam elas temáticas – suas músicas refletem sua posição como mulher trans num espaço que surgiu das lentes queers, mas hoje sofre uma constante gentrificação cisheterossexual-branca –, sejam rítmicas.

Seu novo álbum, Sigils For Survival, não só imprime a ideia de ser uma culminação de anos de carreira, como também trata de exibir suas maiores marcas frente ao trabalho que desempenhou em raves mundo afora. Para ela, apesar da pressão, as pistas se recusam a ser um espaço sem a diversidade com a qual nasceu; é um lugar que dá vida às suas maiores realizações.

O momento que melhor exemplifica isso no álbum são os dez minutos de “Survival Groove”, que transita pelo acid e pelo tech house raveiro sem perder sua profundidade (técnica), com algumas das melodias percussivas mais viciantes desde que se tem notícia. O final da faixa assume uma ida ao old school dos anos 90, traz baterias de hip hop e uma amostragem de diva house sobreposta por hi-hats de ponta, numa padronagem característica dela. É uma das coisas mais emocionantes de se ouvir na atualidade. O trabalho de uma vida, de uma visão de eletrônica necessária nos dias de hoje
Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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