
7.0
Quando lançou Gift Songs no ano passado, Jefre Cantu-Ledesma justificou seu apelo ambiental, foco em texturas de ambient captadas por técnicas distintas e não apenas a gravação de campo, como sendo a “destilação de referências e influências extraídas do mundo natural e de sua prática espiritual”. O álbum de fato correspondia a um tipo de devoção mantida por tomadas que ora continham um ritmo mais ascendente, ora mais limitado a uma nota persistente de drone, mas um drone cheio de tonalidades.Seu novo lançamento, Procession, dispensa a variedade de tonalidades de forma quase a colocar Gift Songs numa posição estritamente acessível, sendo o oposto do que faz aqui. A peça em questão tem quarenta minutos de duração, e dá a impressão de se repetir infinitamente, variando pouco a estrutura contornada por uma nota que remete a uma afinação ritualística.
No decorrer dessa sustentação, que há de despertar um enjoo ou sensações de transe nos mais desavisados, pairam pequenos acordes de guitarra, que diversificam a atmosfera a ponto de expandir a repetição – assumida como um elemento estritamente estético do estilo que percorre, e talvez nada além disso – para um nível ainda mais meditativo do que se poderia pressupor de seu título, “procissão”. É meio literal por isso, e talvez funcione por ser justamente um lançamento assim, solto, desentendido dos mesmos caminhos e descrições de materiais como o já citado Gift Songs.