
7.9
O elemento percussivo sempre presente nas produções de DjRUM nunca atingiu tamanha violência como em seu novo EP, I Wander. Enquanto seus trabalhos mais recentes como o EP Meaning's Edge (2024) e o álbum Under Tangled Silence (2025) dosam a presença de batidas fortes com instrumental que passava, inclusive, por estéticas mais universalistas em termos de calmaria e até mesmo sofisticação, com ares clássicos – o que gerou um desgosto enorme por parte de entusiastas da eletrônica de vanguarda, um efeito quase LUX –, seu novo projeto dispensa investidas de valor universal: curva-se a eletrônica dance, cuja universalidade está nas pistas de dança, mas o faz de forma profundamente densa.São quinze minutos de fritação IDM, que se aproxima às vezes do wonky estilo RamonPang, com batidas tão rápidas quanto desconcertantes, capazes de causar confusão mental. Esse tipo de experiência, que ao mesmo tempo que convida à dança também convida ao serpenteio de sentidos mentais e físicos, sem ser necessariamente sinestetico ao pé da letra, vez que não ultrapassa a barreira lógica de reprodução, torna a atingir uma profundidade que o próprio DjRUM ainda não havia testado. Faixas como “I Wander (III)” partem justamente desse pressuposto de sentidos ao usar de um design de som que não carece de texturas ou camadas extras para chegar até o ouvinte cortando os bumbos. Quando transiciona para a sequência, “I Wander IV + V)”, as batidas reduzem e é programando um efeito líquido que cresce como todos elementos até explodir. É a afirmação final de sobriedade de DjRUM. Uma eletrônica formalista que não apela para a conformidade.