
7.9
Desde Fatigue (2021), Taja Cheek, também conhecida como L'Rain, vem construindo uma das discografias mais consistentes da década de 2020 até agora, não à toa é comum ver prints por aí da sua sequência de álbuns incríveis e que agora conta com fata morgana, lançado na última sexta-feira. E, assim como o já citado L'Rain, I Killed Your Dog (2023) é outro grande destaque da artista e que reflete muito do que ela explora em termos de um pop fundamentado em construções psicodélicas e temas introspectivos.Mas, diferente e, ao mesmo tempo próximo deles, fata morgana expande ainda mais essa forma que a novaiorquina estabeleceu. Seu cerne está em explorações um tanto atmosféricas e ainda mais complexas de arranjos e letras. Em “with me”, faixa que se desconstrói conforme avança por ritmos analógicos, gravações vocais de fundo e um dedilhado de piano que instiga tensão, ela canta: “I can go when the morning comes / Hide your face / I'm a vampire, suck the pain / Have it and eat it too / I can go when the morning comes / Hide your face / I'm a vampire, suck the pain”.
Seu jeito de cantar remete ao modo específico que nomes como Björk e Julia Holter reproduzem: frases lentas e rimas que se constroem pelo vácuo, como se fossem responsáveis por expandir a nova letra e palavra cantada. É um foco profundo numa sentença, num período, num sintagma, numa concepção lírica que pode, em alguns momentos, se tornar demasiadamente prolongada, é o caso de “blue”.
Noutros momentos, o ritmo se acelera, mesmo que a maneira de cantar siga a mesma, e consiga, muito bem, lidar com um instrumental mais caloroso (“borderline”). Percebe-se, por isso, o cuidado meticuloso da artista em equilibrar suas explorações; isso demonstra, na prática, o quanto ela avança na visão artística que busca transmitir. Por isso, ela sempre tem algo novo para ouvirmos e apreciarmos. Ela é fascinante, uma artista inquieta que, a cada novo trabalho, encontra uma maneira de nos surpreender sem recorrer a maneirismos, sejam eles os clichês constantemente empregados por outros nomes ou aqueles inerentes à própria sonoridade que ela cria.