
7.2
Turn Up, EP colaborativo entre Mica Levi e Klein, não excede seis minutos de duração, mas é justamente neste curto espaço de tempo que as artistas expõem suas maiores qualidades, ainda que o resultado final permaneça distante de uma maior realização. O formato enxuto, neste sentido, soa como um próprio desafio às normas que frequentemente quebram, rompem, em suas carreiras. Romper, aqui, é justamente não fazer, não corresponder.No destaque de apenas trinta e cinco segundos, “ghost”, o piano introduz os vocais mais estranhos da carreira Klein, que parece cantar em seu tom mais rasgado e cru possível. A faixa logo evolui e costura uma introdução com “i c many men”, cuja base parece se aprofundar com certa progressão entre acordes e batidas nebulosas que remetem aos melhores trabalhos de Mica Levi e sua abordagem centrada no hypnagogic pop. Se aproxima, por isso, do próprio espírito desleixado e obscuro – no melhor dos sentidos – do que Klein e Mica guardam de aspirações ao universo Dean Bluntiano.