
6.8
Aqui está um conjunto de músicas que percorrem planos superficiais de house e UK bass, mas que consegue, de alguma forma, encontrar fluidez, vez que esses estilos, há muito fixados por DJs e produtores de festivais que os tornaram extremamente acessíveis, ainda conseguem impressionar quando trabalhados com um ideal de personificação que talvez esteja em falta.Não que Pure Devotion seja a obra mais singular ou distinta do mundo, porque não é. A maneira como a dupla Overmono trabalha elementos como o processamento vocal, especialmente em faixas como “Knight In Shining Prada”, reforça a impressão de que eles talvez ainda estejam ligados à sonoridade eletrônica do midstream que consolidou sua reputação no entorno do País de Gales. Além disso, o fato de pertencerem a uma cena europeia e conquistarem reconhecimento nela implica que sua sonoridade inevitavelmente carregará traços estéticos profundamente enraizados numa superficialidade atual, que é derivativa de muito do que despontou de interessante dali ao longo dos anos.
Observe como a sequência formada por “Slowmotion” e “Even Angels Ghost” ecoa fortemente algumas das tendências mais reconhecíveis do UK bass pós-anos 2000. As faixas soam como uma mistura de Burial e Fred Again.., mas parecem tentar despir-se da própria essência de Burial, especificamente a textura granulada das batidas, que cria uma atmosfera nostálgica e empoeirada, apenas para acabar reforçando essa mesma presença.
A mesma dinâmica se repete quando tentam evitar soar como Fred Again..; eles não conseguem se libertar das batidas de progressive house que permanecem como parte comum – e datada – da bagagem estética da cena, a qual eles não buscam nem desafiar nem subverter.