Nikki Nair - The Sick Dimension



7.4

Houve uma época em que criar música de pista com texturas estranhas, daquelas capazes de afugentar o público, não passava de um desejo ousado de causar impacto ou chamar a atenção. Bem, pelo menos é assim que ouvintes casuais, acostumados à sonoridade de artistas como Fred Again.. e Jamie xx, podem se sentir ao se deparar com um set do Blawan.

E talvez é assim que poderiam se sentir ao ouvir o novo disco de Nikki Nair, The Sick Dimension. Entre batidas imersas no padrão 4/4 estão texturas gelatinosas, espinhosas, formadas a partir de recortes supersônicos de raios lasers de potência intergaláctica, que criam alguns dos ritmos de house mais futuristas da atualidade. No ápice do disco e dessa construção de textura que, ao mesmo tempo que espanta os normies, é capaz de fazê-los se envolver, está “Odd Sympathy”, com loops de baterias que parecem evitar qualquer pausa ou descanso improvisado.

O mesmo ocorre com “One Hundred”, cuja percussão inicial não esconde a textura fincada em bumbos ecoantes e em captura de som orgânica, caseira, um quase field recordings de house acelerado para se encaixar na guarnição dance e preparada para causar estranheza nas pistas. Mas vai além, pois joga com uma espécie de culminação elementar que, apesar de soar clichê – vocaloides sendo as amostras vocais de centro – ainda consegue desenhar muito bem a expansão que o foco em texturas pode dar. Coisa seriamente divertida e estranha.

Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

Postagem Anterior Próxima Postagem