Gilbert - Origins



7.2

A relação do detroit techno com o house é inexplicável. Não é como se um dependesse do outro para existir, mesmo que o envolvimento primário seja justamente o fato de um existir devido a existência do outro e vice-versa. A compreensão acerca da familiaridade de ambos passa sobretudo pela intenção de quem os aborda, principalmente num contexto contemporâneo. Há quem diga que trata-se de uma mescla, de uma necessidade de condensar batidas 4/4 e hi-hats com ecos mecânicos. O fato é que a música eletrônica, antes e depois de uma formalização do EDM, surgiu disso. Dessa inconsonância que é, sobretudo, coesa.

O novo EP de Gilbert, produtor de longa data de Bristol, pode tentar tratar de suas origens, mas ao recorrer a Detroit e, ao mesmo tempo, a Chicago, acaba por tratar da origem da música que ele e tantas outras pessoas fazem. Essa música agitada, que aos poucos vai se aprofundando até tocar nossas almas. “Passage Of Time” é bem pontual em usar de definições padrões do techno, beirando uma tonalidade ácida que se fortifica pela sua pegada espacial e nostálgica. “We Are All Made of Stars”, por sua vez, é mais tranquila, mais melancólica. Parte de batidas que instigam nostalgia, uma forma não primitiva, mas antiga de fazer um tipo de som que soa universal – de universo, da origem de tudo, do cosmos e de nós, pessoinhas no Planeta Azul, e, principalmente, do que ouvimos.
Matheus José

Graduando em Letras, escreve sobre música há uma década. Editor do remixe, também colabora com diferentes publicações sobre cultura e música.

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