Slim Soledad - Noches Calientes De La Soledad



7.2

As incursões vocais de Slim Soledad em Noches Calientes De La Soledad revelam um aspecto interessante na forma como a brasileira ajusta seu som para soar como algo distante de apenas replicar tendências de pista. O instrumental é importante: são momentos que viajam por diferentes ajustes de techno, ora flertando com o tribal (“Mapoas Only” com Clementaum), ora com fragmentos de tech house estilo as produções do selo La Pera (“Rosas Vermelhas”).

Mas é nas composições líricas, postas através de versos e frases que criam um efeito próximo da palavra falada, que Noches Calientes De La Soledad se diferencia de outros discos que evocam a cena hoje classificada como São Paulo Queer Underground em sites como o Rate Your Music. Há, como em trabalhos do projeto Katy da Voz e As Abusadas, um hedonismo que se curva aos prazeres carnais como meio de diálogo estabelecido pelo próprio som. Da mesma forma, soa incrivelmente noturno, abastecido por uma atmosfera urbana sombria e, ao mesmo tempo, instigante, pronta para ser desbravada.

“Não é um molhado de mar, mas um molhado de gente, sente?”, canta. Em outras faixas, essa ida ao prazer é ainda mais direta. “Sou sua vampira, vou te chupar inteirinho então”, diz em “De Ladinho”. Slim Soledad compreende sua posição de mensageira, e de ocupante. Seu lugar é referenciado em outros momentos, pois cantar com liberdade e planejar criar um som como os vistos aqui é, sobretudo, uma maneira de dizer que ela conseguiu vencer as adversidades e vencer, ao seu modo, e por isso se orgulhar do que faz e de quem é. Afinal, esse é o espírito que guia a cena em que faz parte.

Matheus José

Graduando em Letras, já passou por publicações nos sites Jornal 140, VIUU, VHS CUT, CriCríticos, Suco de Mangá, BoysLove Hub, Café com Kimchi, POPtivo e Aquele Tuim.

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