
7.1
O som do duo Baalti sempre escorreu por entre as suas raízes, vindas de fragmentos de músicas paquistanesas, bengaleses e indianas, como se quisessem ir além de substrato apenas “regional”, o que nitidamente chama atenção por converter esse efeito a originalidade, de modo semelhante a que artistas da diáspora africana e latino-americana têm trabalhado na música eletrônica nos últimos anos. Em Threads, álbum completo, eles se unem a Lapgan, produtor de Chicago, para reafirmar não apenas esta forma de criar, mas também expandir o que fizeram no excelente EP Baalti, lançado ano passado.A diferença, porém, está num uso menos sintético dos instrumentos que vão guiar o som para esse espaço que corresponde às suas raízes, fortemente inspiradas em festivais de música eletrônica indianos. “Palms” é puramente orgânica, com batidas de tambores estrondosos de dhol feitos ao modo deles, aqui, mais afinados como se propusessem de fato recriar texturas de música tradicional e folclórica, muito por isso seguem com samples de cantos e vocalizações apoiadas em ragas. A sequência, “Chaand”, segue pelo mesmo caminho, com a diferença de ter uma mixagem mais analógica.
“Naaz” tenta, mas os fragmentos vocais sofrem com cortes que dão ritmo à música, um ritmo mais externo à abordagem tradicional vista até então. Depois dessa faixa, o álbum entra em um transe ritualístico. “Devotion”, como o próprio título sugere, concentra-se em tons mais profundos e minimalistas. Essa impressão continua com “Jab Se”, cujo ritmo é drasticamente desacelerado, e a atmosfera calma, como que instigando a meditação, torna-se o centro do álbum. Sinceramente, adoraria ver mais coisas assim deles. Essa parte final é surpreendente incrível.