
7.0
De tempos em tempos nasce um Jamie xx. Brincadeira, mas Loukeman, projeto de Luke Fenton, surfa numa onda parecida quando o assunto é tornar pop alguns avanços despropositados pela eletrônica de vanguarda. Seu som é como se fosse uma ponte, e por isso o fez se aproximar de estrelas tão conhecidas quanto igualmente em busca de novos caminhos. Pela facilidade que tem em traduzir tendências, Loukeman é a escolha perfeita para muitas delas.Seu novo álbum, Sd-3, o terceiro de uma série que até agora tem o ajudado a crescer em números, funciona muito bem como sendo uma obra perene, fixa na fronteira entre dois mundos distintos, mas que se relacionam muito bem. Talvez, mais do que isso, este disco acaba sendo mais um catálogo de amostragem, em que ele expõe suas habilidades e sua facilidade de compor peças extremamente reluzentes e coloridas, como “To The Sky”, cuja linha de baixo se mescla à vocais diluídos pelo próprio ritmo antes de finalizar com batidas que acenam ao tom club que o disco parece ter receio de se aprofundar as vezes.
O trabalho com vocais é o ponto central para entender essa dinâmica. O quão seria vantajoso para Fenton, que tem cada dia mais ganhando projeção, fazer com que seus ouvintes se contentem apenas com instrumentais? Neste ponto, para ele, o uso de vocais é quase um anseio por se manter, e mostrar que trabalha bem com isso. E não há dúvidas que, em dado momento, ele consiga expor isso. “Mad”, com cordas e versos quase impossíveis de compreender, brinca com melodias doces e batidas confortáveis, ao fim, guitarras. É uma bagunça que, no todo, faz sentido.